Que o impossível se faça já

O momento é oportuno para lutar nas redes, nas ruas e em todos os espaços pelo avanço das agendas que compuseram as amplas mobilizações populares que levaram Dilma a reeleição

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O momento é oportuno para lutar nas redes, nas ruas e em todos os espaços pelo avanço das agendas que compuseram as amplas mobilizações populares que levaram Dilma a reeleição

Por Vinicius Alves*

“O impossível se faz já. Só os milagres ficam para depois.”

Dilma Rousseff, 2015.

 

Após o discurso presidencial feito no Congresso Nacional pela presidenta Dilma Rousseff, nos perguntamos até onde ele aponta realmente a abertura de um novo ciclo de mudanças. O que significou ou o que pode significar ver gênero e sexualidade serem afirmados no campo das igualdades democráticas? Sem dúvidas, há no discurso da presidenta uma proposta de novo governo. Uma composição ministerial muito diferente do primeiro mandato. Também um novo comando político do ponto de vista econômico e do núcleo de tomada de decisão foi montado.

Milhões de pessoas durante toda a campanha, especialmente no segundo turno, repetiram a necessidade de reformas. Isso foi bem registrado pela presidenta na sua fala. Fomos milhões em todos os cantos pedindo o reencantamento da vida política a partir de uma nova cultura democrática. Pedimos que o Estado nos pertença mais, enquanto cidadãs e cidadãos e nos represente melhor na riqueza e força da diversidade do nosso povo.

O governo Dilma foi quem inaugurou a sistematização dos dados de violência homofóbica no país a partir dos registros do Disque 100 em 2011. Porém, ainda continua sem deixar nítido os rumos, nas suas políticas, de como criará as condições de uma vida segura e sem violência para população LGBT. Uma pátria educadora, que seja igualmente libertadora e democrática, como lema do segundo mandato desafia o governo traduzir na esfera e na política pública as nossas necessidades mais imediatas. O discurso da criminalização da homofobia, no oportuno momento de fala perante o poder legislativo, não foi registrado como na campanha.

Um horizonte que garanta a igualdade de oportunidades com respeito as questões de raça, credo, gênero e sexualidade é esperado para este segundo mandato em discursos, prioridades, diretrizes, ações e orçamento. O povo continuará de cá não sendo bobo na luta sobre o que diz respeito às nossas vidas: da reforma política à democratização dos meios de comunicação; do respeito a diversidade sexual e de gênero a uma nova política sobre drogas! Da vida da juventude negra, pobre e de periferia; da vida das mulheres à reforma agrária, urbana e tributária ampla, justa e democrática em nosso país!

O momento é oportuno para lutar nas redes, nas ruas e em todos os espaços pelo avanço das agendas que compuseram as amplas mobilizações populares que levaram Dilma a reeleição. Para o avanço da nossa democracia um coração valente que enfrenta o medo com renovadas esperanças. As e aos que virão: que o impossível se faça já!

*Vinicius Alves é Secretário Nacional de Relação com os Movimentos Sociais da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – ABGLT representando o Coletivo Kiu!. Também é membro do Conselho Nacional de Juventude (CONJUVE)

Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil 



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