Em entrevista a jornal, Marta Suplicy diz que se sente “cerceada” no PT

Senadora não confirmou que deixará o partido, mas declarou que está "impossibilitada de disputar e exercer cargos para os quais está habilitada".

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Senadora não confirmou que deixará o partido, mas declarou que está “impossibilitada de disputar e exercer cargos para os quais está habilitada”

Por Redação | Foto: Gervásio Baptista/Agência Brasil

A polêmica entrevista que a senadora Marta Suplicy (PT-SP) concedeu à jornalista Eliane Cantanhêde ganhou as manchetes do noticiário político deste domingo (11), após ser publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo. E não é para menos: a conversa praticamente sela sua saída do PT, sigla à qual é filiada desde 1981.

Sem confirmar que, de fato, deixará o partido, a senadora sinalizou que deve se juntar a outra agremiação para disputar a prefeitura de São Paulo em 2016. “Não tomei a decisão nem de sair, nem para qual partido, mas tenho portas abertas e convites de praticamente todos, exceto do PSDB e do DEM”, confidenciou. “[O PT] É um partido no qual estou há muito tempo alijada e cerceada, impossibilitada de disputar e exercer cargos para os quais estou habilitada”.

Deixou claro, sobretudo, seu descontentamento com a administração da presidenta Dilma Rousseff (PT), que afirmou ser marcada por “desmandos”. Mencionou que chegou a avisar Lula que deixaria o Ministério da Cultura por conta de sua insatisfação. “Eu avisei a ele que eu ia sair do ministério, porque discordava da política econômica, da condução do País, e ia voltar para o Senado”, confessou.

Esta foi exatamente a medida tomada por Marta pouco após a reeleição da Dilma, quando entregou carta de demissão à presidenta, antes mesmo do fim de seu primeiro mandato. À época, a situação causou toda sorte de boatos, disseminados principalmente pela mídia tradicional.

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“Volta, Lula”

Marta contou a Cantanhêde os bastidores do “Volta, Lula”, princípio de movimento articulado por ela a partir de 2013 para que Lula fosse o candidato à presidência da República nas eleições deste ano. Relatou que marcou um jantar em sua casa com os representantes do empresariado paulista, ocasião à qual o ex-presidente também compareceu. “Eles [empresários] fizeram muitas críticas à política econômica e ao jeito da presidente. E ele [Lula] não se fez de rogado, entrou nas críticas, disse que era isso mesmo. Naquele jeito do Lula, né? Quando o jantar acabou, todos estavam satisfeitíssimos com ele”, disse. “Ninguém falou claramente, mas todo mundo saiu dali com a convicção de que ele era, sim, o candidato.”

Segundo Marta, Lula se mostrava “extremamente incomodado com Dilma” e gostaria de ter sido o candidato, mas decidiu não “bater de frente” com a presidenta reeleita. “A verdade é que ele nunca disse, mas sempre quis ser candidato e achou que ia ser”, afirmou. “Ele é um grande estadista, mas não quis enfrentar a Dilma. Pode ser da personalidade dele não ir para um enfrentamento direto, ou porque achou que geraria uma tal disputa que os dois iriam perder.”

“Loura de olho azul”

A ex-ministra revelou, ainda, que tinha o desejo de ser presidente do Brasil no lugar de Dilma Rousseff. “Quando era neófita, tinha clareza de que poderia ser presidente. Depois, isso caiu por terra, até que um dia o Lula, no avião dele, quando era presidente, me disse: ‘Minha sucessora vai ser uma mulher’. E pensei que ou seria eu, ou Marina (Silva) ou Dilma. Logo vi aquela história de ‘mãe do PAC’ e que era a Dilma”, declarou.

Pelo visto, Marta guarda mágoas por ter sido preterida. Apontou até o motivo para que isso tivesse acontecido. “Sempre achei que ia acabar ficando meio de fora das coisas, talvez pela origem, talvez por ser loura de olho azul, não sei”, colocou.

“Candidatíssimo”

Os disparos mais certeiros da senadora foram feitos a Aloizio Mercadante, a quem descreveu como “inimigo” e “candidatíssimo” à sucessão presidencial em 2018. “Está operando nessa direção desde a campanha, quando houve um complô dele com Rui e João Santana (marqueteiro de Dilma) para barrar Lula”, contou.

As críticas não pararam por aí. Para a ex-prefeita, um eventual governo de Mercadante seria desastroso. “Ele vai ter contra si sua arrogância, seu autoritarismo, sua capacidade de promover trapalhadas. Mas ele já era o homem forte do governo. Logo, todas as trapalhadas que ocorreram antes ocorrem agora e ocorrerão depois terão a digital dele”, considerou.

Marta e Mercadante se enfrentaram em 2006, quando disputaram prévias dentro do PT para definir quem seria o candidato do partido ao governo paulista. A senadora acabou saindo derrotada da briga. Os embates públicos entre ambos se estenderam até 2012, quando Marta perdeu novamente a candidatura, dessa vez à prefeitura de São Paulo, para Fernando Haddad (PT). No fim de 2011, ela se colocava como o nome mais forte para as eleições municipais – liderava, inclusive, as pesquisas de intenção de voto da época. Mercadante, então ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, a rebateu publicamente .”A opção do PT será a que a prévia escolher, se houver prévia. Ou a pessoa que um acordo entre os candidatos venha a definir”, disse.



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