“Não posso admitir a conclusão de que a ação de dois ex-funcionários contaminou a empresa inteira”, diz ex-presidente da Petrobras

Sergio Gabrielli declarou em entrevista que existe “vazamento seletivo” dos delatores da Operação Lava Jato e que não é certo apontar “superfaturamento generalizado nas operações da Petrobras”.

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Sergio Gabrielli declarou em entrevista que existe “vazamento seletivo” dos delatores da Operação Lava Jato e que não é certo apontar “superfaturamento generalizado nas operações da Petrobras”

Por Redação

Em entrevista à revista Carta Capital, o ex-presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, fala a respeito da operação Lava Jato, da Polícia Federal, que investiga atos de corrupção dentro da estatal. Na entrevista, Gabrielli destaca que, como todos os “procedimentos eram seguidos corretamente”, não era “possível detectar ações inadequadas” e que existe um “vazamento seletivo” dos depoimentos dos delatores. De acordo com o ex-dirigente, existe um só fato: “operações entre fornecedores e entre fornecedores de fornecedores sem relação direta com a Petrobras”. “Como a empresa poderia controlar essas negociações?”, questiona.

Gabrielli também ressalta que não é correto afirmar que há superfaturamento nas operações da Petrobras. “Nesse momento não há nenhuma decisão do TCU a respeito de Pasadena, do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Não é certo apontar um superfaturamento generalizado nas operações da Petrobras. Vários fatores têm sido ignorados. Cito um deles: o monumental volume de investimentos da companhia provocou um aquecimento no mercado de equipamentos e serviços. Os preços subiram por causa desse aquecimento da demanda”, explicou.

Em outro momento, os jornalistas Mino Carta e Sergio Lino comentam a respeito do envolvimento dos dirigentes Paulo Roberto Costa, Renato Duque, Pedro Barusco e Sergio Machado e de como, sendo altos executivos da Petrobras, conseguiram operar com tamanha liberdade. Gabrielli respondeu que desconhece as “acusações específicas”. “Guio-me pelo que veio a público até agora. O Barusco disse que operava havia 18 anos. O Costa, que fazia tudo fora da empresa. O Machado e o Duque negam as acusações. São duas confissões, a do Costa e do Barusco. A Petrobras assina 240 mil contratos por ano. Em 2013, faturou 370 bilhões de reais e investiu 45 bilhões de dólares. Não posso adimitir a conclusão de que a ação de dois ex-funcionários contaminou a empresa inteira”, disse.

O ex-presidente da Petrobras também comentou sobre a reputação da empresa e se isso pode influenciar negativamente nos investimentos. “A crise de reputação não é uma ameaça direta ao pré-sal. Mas me preocupa a situação dos fornecedores, de quem produz sondas, tanques, tubos etc. Se algumas dessas empresas, principalmente as brasileiras, entrarem em crise, e podem, ocorrerá um atraso na exploração do pré-sal em sua plenitude”, explicou Sergio Gabrielli.

Foto: Conversa Afiada

 



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