Para lideranças petistas, depoimento de Vaccari é fruto de “abuso de autoridade” e “achacamento”

Às vésperas do ato que vai comemorar os 35 anos de fundação do partido, deputados, ministros e lideranças da sigla se reuniram e Belo Horizonte e comentaram a recente ação coercitiva que levou o tesoureiro do partido à depor para a PF sobre a...

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Às vésperas do ato que vai comemorar os 35 anos de fundação do partido, deputados, ministros e lideranças da sigla se reuniram e Belo Horizonte e comentaram a recente ação coercitiva que levou o tesoureiro do partido a depor na PF sobre a operação Lava Jato. Ex-presidente Lula também saiu em defesa de Vaccari 

Por Ivan Longo, de Belo Horizonte 

Membros do Diretório Nacional do PT, bem como lideranças dos mais diversos escalões da sigla, reuniram-se nesta sexta-feira (6) em Belo Horizonte (MG) para comemorar os 35 anos da fundação do partido. Antes do ato comemorativo, no entanto, que deve acontecer à noite, os políticos realizaram uma reunião fechada e, nas oportunidades em que tiveram de falar com a imprensa, o assunto quase sempre foi o mesmo: o depoimento de João Vaccari Neto, tesoureiro da sigla, à Polícia Federal.

Vaccari, que teve seu sigilo telefônico e bancário quebrado já no ano passado e que segue negando qualquer tipo de envolvimento do partido com as denúncias de corrupção na Petrobras, já tinha se manifestado publicamente que contribuiria de forma voluntária com as investigações. A Polícia Federal, no entanto, utilizou do mandado de condução coercitiva e obrigou o petista a depor nesta quinta-feira (5), gerando inúmeras críticas dentro do partido.

Para as lideranças petistas, a ação da Polícia Federal representa um abuso de autoridade e só contribui para a “exploração midiática” que está se fazendo do caso, levando em conta até o fato de não ter sido encontrado nada na quebra de sigilo do tesoureiro e o fato de que ele sequer foi detido depois de depor.

Segundo relatos à reportagem, o ex-presidente Lula, que chegou a participar da reunião das lideranças por cerca de 40 minutos, teria dito que não havia a necessidade da ação coercitiva e que, como não há provas, na dúvida, fica com o “companheiro”. Para o ex-presidente, há uma clara tentativa de criminalizar o partido e ele teria conclamado a militância e a legenda a reagir, diante justamente do risco de o Judiciário “julgar pela pressão que se cria e não pela lei”.

Com a Fórum, falaram o deputado federal e líder do PT na Câmara, Sibá Machado (AC); o futuro sub-secretário de Direitos Humanos do governo de Minas Gerais e ex-secretário de Direitos Humanos do governo Lula, Nilmário Miranda; o deputado federal Arlindo Chinaglia (SP) e o ex-deputado federal e atual ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini.

Confira o que disseram sobre o caso cada um deles:

Sibá Machado 

O que foi dito recentemente sobre novas denúncias não é novo coisa nenhuma. O depoimento do Barusco (ex-gerente da Petrobras) já estava lá desde do dia 20 de novembro passado. Por que só agora foram falar? Segundo, não tinha absolutamente nada contra Vaccari, quebraram o sigilo dele e não encontraram nada. A CPI da Petrobras terminou ano passado e nenhum deputado ou senador apresentou nada de novo. Tudo o que apresentaram na CPI já são informações publicadas pela imprensa. Então, se for para a CPI discutir o que sai na imprensa, é melhor fazer na internet. 

Está havendo um abuso de autoridade, por que podiam ter chamado ele pra ir lá e ele iria. Coercitiva não precisava. Tinha 28 perguntas e não tinha nenhuma além daquela que já era natural que respondesse. 

Qualquer militante nosso que for achacado terá nossa solidariedade. Qualquer militante nosso que for provado praticando qualquer coisa errada, nós temos nosso estatuto claro em relação a isso e a direção vai tocar para frente. Até agora, não vimos nada. Se não tem nada, é achacamento. 

Nilmaário Miranda

Não precisava ter existido condução coercitiva. Ninguém chamou ele para prestar depoimento. Se o tivessem feito, ele teria ido. Não precisava desse espetáculo. Ele disse que estava aguardando ser chamado para prestar depoimento, não precisava ser desse jeito. Não houve nenhum impedimento, não tinha risco dele fugir, não tinha passaporte bloqueado. Isso tem que ser feito da maneira adequada. Ninguém está acima da lei. 

Arlindo Chinaglia 

Não tem motivos para o Vaccari depor de forma coercitiva, e não estou falando isso por ele apenas, mas ele já tinha manifestado intenção de depor. Então, é preciso tomar cuidado com uma eventual exploração midiática. Precisa haver cautela para não haver uma exploração indevida. Notícia é uma coisa, exploração indevida é você ter atitudes no sentido propagandístico. 

O fato dele ter ido depor e não ter ficado preso, se tomar como referência outros episódios em que vai depor e fica preso, é de se admitir que não há provas contra ele. É preciso cautela para que não se tirem conclusões precipitadas. Temos que aguardar as investigações e quem tiver responsabilidade, seja do PT ou de qualquer partido, vai ter que responder por elas.

São delações premiadas e delações premiadas resultam na redução da pena de quem sabidamente é réu, que sabe que cometeu crime. O primeiro passo é procurar saber se aquilo é verdade. Alguém, para se defender, pode não falar a verdade. O sócio de um dos réus, por exemplo, o Youssef, disse que ele está mentindo, que tem muito mais dinheiro do que declarou, entre outras intenções que não sei quais seria. 

Ricardo Berzoini

Nós temos uma grande conquista que é o processo legal. Quando a pessoa sequer está denunciada, não dá para falar em acusações. O que tem são delações e tentativas de consolidar verdades antes da hora.

Acho que o PT tem maturidade que essa luta política, muitas vezes travestida de jurídica, tem que ser encarada com serenidade e tranquilidade.

Foto: Roosewelt Pinheiro/ABr



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