Seguindo os passos do grego Syriza, Podemos lidera pesquisa de intenção de voto na Espanha

Assim como partido helênico, Podemos prega o fim da 'era da austeridade' e é a grande novidade política do país em 80 anos de bipartidarismo

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Assim como partido helênico, Podemos prega o fim da ‘era da austeridade’ e é a grande novidade política do país em 80 anos de bipartidarismo

Por Opera Mundi 

Pesquisa de intenção de voto realizada pela empresa Metroscopia, divulgada pelo jornal espanhol El País neste domingo (08/02), indica que o novo partido Podemos, criado há um ano, lidera as pesquisas de intenção de voto na Espanha. O protagonismo do movimento comandado por Pablo Iglesias é a grande novidade política no país que há 80 anos alterna o poder entre o PP (Partido Popular) e o PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol). 

De acordo com a sondagem, o Podemos lidera com 27,7% das intenções de voto. O governista PP de Mariano Rajoy tem 20,9% e os socialistas de Pedro Sánchez têm a preferência de 18,3% do eleitorado. A Espanha terá dois pleitos em 2015: os locais, em maio, e o geral, em novembro.

A pesquisa foi realizada no começo do mês, entre os dias 3 e 4, dias após a manifetação do Podemos que reuniu mais de 150 mil pessoas na Porta do Sol, em Madrid. Apesar disso, o partido perdeu cinco décimos desde a última sondagem.

Outro novato no cenário político espanhol, o partido de centro-esquerda Ciudadanos já se consolida como a quarta maior força no país, com 12,2%, quatro pontos a mais do que o verificado em janeiro.

Grécia

vitória do partido de esquerda Syriza na Grécia no último mês deu um novo impulso aos movimentos progressistas na Europa. Na noite em que foi divulgado o resultado, o filósofo italiano Paolo Flores d’Arcais escreveu: “Hoje na Grécia, amanhã na Espanha, depois de amanhã na Itália.”

No mesmo sentido, Pablo Iglesias afirmou que “2015 será o ano da mudança na Espanha e na Europa. Vamos começar pela Grécia.” Anuncia-se o fim da “era da austeridade” e um novo efeito dominó, inverso daquele que a Grécia abriu na zona euro em 2010.

Durante discurso na “Marcha da Mudança” – nome dado para o evento realizado no sábado (31/01), Iglesias, usou o exemplo da vitória da esquerda na Grécia para afirmar que leva “muito a sério os sonhos de recuperar o poder estatal de investimento”. E acrescentou: “Quem dizia que não era possível? A Grécia como exemplo de mudança política na Europa. Sonhamos com um país melhor, mas não viemos à Porta do Sol para sonhar, e sim para fazer nossos sonhos virarem realidade”, reafirmou.

A iniciativa tenta se organizar de maneira diferente dos partidos tradicionais, por meio de grupos de bairros, que são chamados de círculos. Cada círculo tem autonomia para discutir e executar ações dentro de sua região sem precisar da autorização de nenhum dirigente dentro do Podemos. Para o intelectual português Boaventura dos Santos, trata-se da “maior inovação política na Europa desde o fim da Guerra Fria e, ao contrário do Syriza e do BE [Bloco de Esquerda de Portugal], nele não são visíveis traços da Guerra Fria”.

Contra o Podemos, no entanto, pesam críticas de que seu programa eleitoral não é baseado em propostas concretas e sim em “sonhos convertíveis em realidade”, baseados na recente experiência grega, como escreveu o jornal El País.

Foto: Clara Palma Herma/El Diario 



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