Fim do carnaval: e agora, quantas mulheres negras estarão na TV?

No carnaval, uma maior quantidade de mulheres negras na televisão é perceptível  – a começar pela Globeleza, cujo papel é representar a suposta “hipersexualidade” da mulher negra. O carnaval midiático encontra na figura da...

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No carnaval, uma maior quantidade de mulheres negras na televisão é perceptível  – a começar pela Globeleza, cujo papel é representar a suposta “hipersexualidade” da mulher negra. O carnaval midiático encontra na figura da “mulata” a imagem ideal para promover uma festa onde a sexualidade entra de carro chefe. No entanto, independente da representação dada às mulheres negras no carnaval, após o período festivo elas simplesmente somem da televisão.

É possível contar nos dedos de uma mão as atrizes negras que ganham papéis de destaque em novelas, séries e outros programas televisivos, ou mesmo as que marcam presença nos comerciais. Quando aparecem, os nomes são sempre os mesmos; as atrizes negras que conquistam destaque na televisão são as poucas conhecidas de sempre e quase todas atendem ao padrão de “mulata” vendido pela mídia. São todas jovens, com traços faciais finos e corpos magros, de modo que não “choquem” demais a supremacia branca brasileira. O difícil é vê-las em papéis subversivos, que desafiem a lógica racista.

Ao contrário do que muitos sugerem, a solução para essa situação não é o boicote. Desligar a televisão e ignorar a programação das emissoras racistas, sem sequer comentar a respeito, não é a atitude que vai resolver o problema. Mais de metade da população brasileira é constituída por pessoas autodeclaradamente negras, muitas das quais assistem televisão – até porque também possuem o direito de escolher o tipo de entretenimento que desejam consumir. Por isso, o protesto é a única via possível para que as personagens negras criminosas e subalternas não sejam a única representação que a população negra encontra na TV.

Não podemos permitir que continue havendo programações inteiras dedicadas a humilhar e discriminar pessoas negras; é preciso fazer muito barulho para lembrar os senhores brancos, donos desses impérios midiáticos racistas, que não poderão mais representar as mulheres negras como “mulatas hipersexuais” sem que enfrentem protestos severos. Essa reação pode começar pelo simples ato de questionar a escassez de atrizes negras na televisão e os papeis limitados que lhes são concedidos.

Que o racismo e o machismo contra as mulheres negras brasileiras incomode cada vez mais.

Foto de capa: Reprodução



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8 comments

  1. Mila Rodrigues Responder

    Gente por favor , chega de incitar o povo! Por trás da cor ,existem outros valores ,agregados ,que formam a personalidade de um ser humano. Essa mentalidade provinciana impede de se olhar para frente ,com os olhos do progresso. Urgentemente necessário uma assepsia mental, caso contrário o Brasil vai continuar , sempre visto como um pais sub de tudo. Caramba, tudo é motivo para se falar em racismo…já que fazem tanta questão assim, pq não falam, referindo-se tb ao homem negro? pq só se referem a mulher negra?

    1. Maiara Responder

      Se você estivesse antenada nos gráficos – os quais mostram a posição de nós, mulheres negras -, não estaria falando esse besteirol. Já analisou em qual posição estamos? Politica, social, economicamente? Para de falar besteira e de citar, com eufemismos, esse lance de vitimização.

    2. Wanderson Luis Responder

      Mila Rodrigues, as pessoas que lutam contra preconceito racial são as primeiras a saberem que por trás da cor existem outros valores. O problema são os que não sabem disso e excluem e veem o negro como um sub humano.

      Infelizmente se o Brasil é sub de alguma coisa (como se Europa e EUA fossem bons exemplos aos olhos de muitos…) justamente por causa de seu racismo velado e extremamente cruel. As mulheres negras (não sei se é o seu caso) são as principais vitimas deste processo.

  2. Mila Responder

    O ser humano agrega outros valores, portanto não está resumido só a sua cor.. É bom parar de incitar o povo com essas colocações racistas e passar olhar pra frente, com os olhos do progresso, quem sabe assim o Brasil deixa o titulo de sub?! e outra coisa, já que querem falar em racismo o tempo inteiro, pq. n se referem tb ao homem negro? a critica é para o racismo em sí ou para as mulheres?????

  3. Nayla Responder

    Texto ótimo. Parabéns, falou a realidade. Quando as mulheres negras aparecem na televisao sempre é como simbolo de sexualidade ou como empregada.Mais uma vez,parabéns pelo texto.

  4. Gabriela Responder

    Mila,
    É também por causa de pessoas como vc, e contra pessoas com pensamentos iguais ao seu q devemos lutar. Lutar contra esse racismo velado.

  5. Andreia Responder

    É patético esse pessoal que tenta a todo custo ser mais brasileiros que todos os outros povos no brasil.
    é um constante, condicionamento de enegrecimento seja da cultura no carnava,l no futebol, na música, dança, comida
    no jeito de se vestir, falar e até pensar…etc.. querem nos transformar, nos futuros afro nos diluir, cada vez mais!!!! através da ancestralidade que não é somente a nossa única identidade no brasil! Pq brasil parece ser para negros e todos os outros cada vez mais mestiços nascidos de afrodescendentes.
    Brasil não é só palmares e terreiro brasil pertence a tod@ os POVOS brasileiros.

  6. MARCELO RODRIGUES Responder

    Na minha opinião depois do carnaval só duas mulheres negras vão ser destaque na tv e olhe lá ainda o preconceito da TV com as mulheres negras são grandes sendo que as mulheres negras são lindas também.


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