Cerveja Feminista: Agora ela existe

Depois de décadas e décadas de publicidade machista, finalmente uma cerveja com viés feminista surge para abrir a discussão de um produto que historicamente oprime, em suas campanhas, as mulheres; ideia surgiu de um grupo de publicitárias e o produto já está a venda;...

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Depois de décadas e décadas de publicidade machista, finalmente uma cerveja com viés feminista surge para abrir a discussão de um produto que historicamente oprime, em suas campanhas, as mulheres; ideia surgiu de um grupo de publicitárias e o produto já está a venda; confira a entrevista com uma das criadoras 

Por Ivan Longo 

Quem achou que o fato de a Skol ter voltado atrás e retirado as propagandas de cunho machista das ruas neste carnaval encerraria o assunto, se enganou. A campanha que influenciava as mulheres a ser submissas aos homens apenas escancarou o que sempre foi uma realidade no universo das marcas de cerveja e fez com que um grupo de publicitárias colocassem em prática algo que as mulheres já discutem há um bom tempo: criar uma cerveja feminista.

Queremos que todo mundo fale sobre feminismo, sobre machismo. Que todo mundo possa discutir e cerveja tem esse dor de levar um assunto pras mais variadas mesas”, contou Maria Guimarães, uma das publicitárias que criou a cerveja, junto com as amigas, também publicitárias, Thais Fabris e Larissa Vaz. 

Guimarães garante que a ideia não é nem lucrar com a cerveja – tanto que ela será vendida pelo seu preço de custo – mas apenas fomentar a discussão acerca do tema.

O grupo, inclusive, integra um coletivo chamado 65 | 10, que procura discutir e repensar a forma como é feita a publicidade para mulheres, nas agências e nas campanhas. “O nome do coletivo ate vem de uma estatística dessas; 65% das mulheres não se identificam com propaganda e apenas 10% dos profissionais de criacao nas agências são mulheres”, explicou Maria. 

A Cerveja Feminista pode ser comprada aqui.

Confira abaixo a íntegra da entrevista com uma das criadoras da cerveja.

Fórum – Como surgiu a ideia da criação da Cerveja Feminista? A campanha machista da Skol neste Carnaval contribuiu para isso? 

Maria Guimarães – Eu sou publicitária e as outras meninas também. E tudo começou quando a gente se juntou em um coletivo, que chamamos de 65 | 10. Lá a gente discute o machismo em propaganda e também dentro das agências. Calhou que semana passada apareceu a campanha da Skol, temos alguns amigos cervejeiros e surgiu essa ideia de fazer uma cerveja que nos ajudasse a manter o assunto vivo.

Então a cerveja foi o que a gente criou pra não deixar a conversa morrer. Queremos que todo mundo fale sobre feminismo, sobre machismo. Que todo mundo possa discutir e cerveja tem esse dor de levar um assunto pras mais variadas mesas.

Tanto que a gente não quer lucrar com essa cerveja. Ela vai ser vendida a preço de custo mesmo… A gente brinca que quer lucrar só com a discussão mesmo.

Fórum – Vocês pensam em fazer campanhas publicitárias para a cerveja ou acreditam que só o nome já dá conta da discussão em si? 

Maria Guimarães – A gente está pensando em fazer uma campanha pra cerveja, sim. Algo que ajude as pessoas entenderem melhor o que é feminismo… Porque temos sentido que muitas pessoas não sabem o que significa. Muitas acham que é algo só pra mulher, confundem como se fosse o oposto de machismo.

Fórum – Há planos de campanhas para outros meios, na publicidade, considerados machistas? 

Maria Guimarães – A gente pensa em seguir discutindo isso na propaganda como um todo. Tem propaganda machista pra tudo quanto é lado. O que é muito burro, visto que hoje 80% das decisões de compra nos lares brasileiros são tomadas por mulheres.

O nome do coletivo até vem de uma estatística dessas: 65% das mulheres não se identificam com propaganda e apenas 10% dos profissionais de criação nas agências são mulheres.

Fórum – Como publicitária, que perspectivas enxerga dentro do mundo da publicidade para as campanhas machistas, tendo em vista tantas discussões recentes? 

Maria Guimarães – O machismo existe dentro da publicidade porque ali é uma extensão da nossa sociedade que é extremamente machista. O fato da área de criação das agências ter poucas mulheres ajuda com que isso seja menos discutido de forma mais densa. Acho que estamos num momento que as agências estão começando a perceber e tomar mais cuidado… Mas é um caminho muito longo. E, claro, não é só culpa das agências. Muitos clientes chegam já com briefings que são muito ruins e machistas.

 



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