Lula diz que vai à guerra por Petrobras e democracia

Ex-presidente criticou papel da mídia tradicional na cobertura da crise da estatal e mandou recado à oposição: "Eu quero paz e democracia, mas eles não querem. Então, a gente sabe brigar também"

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Ex-presidente criticou papel da mídia tradicional na cobertura da crise da estatal e mandou recado à oposição: “Eu quero paz e democracia, mas eles não querem. Então, a gente sabe brigar também”

Por Anna Beatriz Anjos

O ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva esteve presente no ato em defesa da Petrobras, realizado na noite desta terça-feira (24) no Rio de Janeiro. Em discurso, ele criticou o papel da mídia tradicional na cobertura da crise na estatal e pediu a união da sociedade para preservá-la. “Essa empresa virou motivo de orgulho”, disse.

“Em vez de ficar chorando, vamos defender o que é nosso: a Petrobras. Porque defender Petrobras é defender o Brasil, defender o Brasil é defender os trabalhadores brasileiros, e defender os trabalhadores brasileiros é defender a democracia”, afirmou, arrancando aplausos da plateia. Ao seu lado, no palco, estavam sindicalistas, intelectuais, artistas, jornalistas e líderes de movimentos sociais, como João Pedro Stédile, do MST.

Lula se posicionou sobre as denúncias de corrupção investigadas pela Operação Lava Jato. “Qual a vergonha que a gente pode ter se, numa família de 86 mil trabalhadores, alguém cometeu um erro? O que acontece na família da gente quando alguém faz uma ‘caca’? É dar o castigo necessário”, argumentou. “O que a gente não pode é jogar a Petrobras fora por causa de meia dúzia de pessoas, ou de 50 pessoas.”

O ex-presidente também chamou atenção para o “efeito cascata” que a atual crise pode acarretar para a estatal e, consequentemente, para a economia do país. “Os petroleiros, a Petrobras, os acionistas, a cadeia de produção que engloba a Petrobras não pode ser prejudicada por isso. É isso o que está em jogo”, reforçou.

Já no fim de seu discurso, Lula falou sobre a postura de Dilma Rousseff (PT), sua sucessora, diante do quadro de instabilidade que vive o país hoje. “A Dilma tem que deixar a Petrobras para a Petrobras, a corrupção para o Ministério da Justiça e para a Polícia Federal”, declarou. “Ela tem que levantar a cabeça, dizer ‘eu ganhei as eleições e vou cuidar do meu país’.”

Durante a fala, ele se dirigiu diversas vezes à oposição e mandou seu recado. “Já passei por muitas coisas nesse país. Já recebi muitas ofensas e ataques, nada disso me abalava. Vou dizer para vocês uma coisa e quero que a imprensa publique. Sou filho de mãe analfabeta, de um pai analfabeto. O mais importante legado que minha mãe deixou foi andar de cabeça erguida, e ninguém me fará abaixar a cabeça nesse país. Eu quero paz e democracia, mas eles não querem. Então, a gente sabe brigar também”, desafiou.

Imprensa

Lula não poupou a mídia tradicional. Em vários momentos, contestou o modo com que os grandes veículos têm tratado as informações relativas às investigações na Petrobras. “Eles continuam fazendo hoje o que fizeram a vida inteira. É criminalizar antes. Tornar você bandido antes de ser investigado. Você é criminalizado pela imprensa. Se eu conto uma inverdade, muitas vezes ela vira verdade no imaginário de milhões de pessoas”, destacou.

Para a imprensa, o ex-presidente também passou sua mensagem: “Tenho que dizer para eles que o povo já consegue fazer análises sem ouvir o formador de opinião deles.”

(Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)



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