“Situação no Brasil é desesperadora”, diz diretora de ONG que orienta aborto seguro

Médica Rebecca Gomperts decidiu ajudar mulheres pelo mundo após ver tantas morrerem por causa do procedimento ilegal

861 0

Médica Rebecca Gomperts decidiu ajudar mulheres pelo mundo após ver tantas morrerem por causa do procedimento ilegal

Por Redação

(Divulgação)
“Elas chegavam já morrendo”, diz Rebecca sobre mulheres que tinham feito aborto clandestino (Divulgação)

Salvar vidas. Este é o objetivo da médica holandesa Rebecca Gomperts, fundadora da ONG Women On Web, que orienta mulheres do mundo inteiro a realizar o procedimento de forma segura. A organização disponibiliza atendimento médico em diversas línguas e chega a enviar remédios abortivos pelo correio.

Rebecca, que é mãe de dois filhos, concedeu entrevista à revista Marie Claire, onde afirma que são cerca de 8 mil atendimentos por mês, sendo aproximadamente 1 mil de brasileiras. Porém, ajudar as brasileiras não tem sido fácil. Segundo a ONG, a chance da ajuda chegar ao destino é só de 30%, pois os pacotes têm sido confiscados e mulheres chegam a ser chamadas a prestar esclarecimentos à polícia.

“Para ser honesta não acho que exista no mundo uma situação tão desesperadora como no Brasil. Está muito difícil ajudar essas mulheres”, disse Rebecca.

Enquanto isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a cada dois dias uma mulher brasileira morra vítima do aborto ilegal.

Foi o contato direto com mulheres que fizeram procedimentos ilegais que levou ao surgimento da iniciativa. A médica fazia residência como estudante de medicina na África, quando viu entrar, na clínica onde atendia, uma mulher com hemorragia, machucada por um aborto clandestino. A cena se repetiu dezenas de vezes. “Elas chegavam já morrendo”, lembra.

A ONG reúne diversas histórias de desespero de mulheres que se viram grávidas, muitas mesmo após tomarem anticoncepcionais. No Brasil, são 469 relatos.

Com tantos pedidos de socorro pelo mundo, Rebecca tem certeza de que está fazendo a coisa certa. Orienta, porém, que a interrupção seja feita até 12ª semana.

 

 

 



No artigo

x