A publicidade brasileira é ridícula

Protestos contra o machismo da publicidade brasileira aconteceram em 2012. Imagem: Reprodução / Facebook Ontem foi lançada uma nova peça publicitária...

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Protestos contra o machismo da publicidade brasileira aconteceram em 2012. Imagem: Reprodução / Facebook

Ontem foi lançada uma nova peça publicitária da marca Always, que vende absorventes menstruais. Na campanha, acharam que seria uma boa ideia falar sobre vídeos íntimos que são publicados sem o consentimento das mulheres gravadas, mas resolveram abordar o tema criando um viral porco, utilizando a famosa Sabrina Sato como exibição sexualmente objetificada, apresentando um assunto extremamente difícil com trocadilhos ridículos e irresponsabilidade profunda.

A ONG Safernet, que deveria ser o lado coerente dessa grande palhaçada, ainda caiu na armadilha de culpar as mulheres por terem seus vídeos expostos sem permissão. Ao invés de voltar a campanha para explicar que o “vazamento” de material íntimo é crime, a Safernet preferiu dizer para as mulheres simplesmente não tirarem fotos sem roupa. Mas espera aí, era pra ser uma campanha de conscientização em combate a um crime ou mais uma forma de dizer para as mulheres que elas são imorais e sem inteligência?

Já a Leo Burnett, agência publicitária responsável pela propaganda, é a mesma que foi alvo de protestos do movimento feminista brasileiro em 2012. Em uma peça publicitária feita para a cerveja Nova Schin, a agência chegou a colocar mulheres sendo despidas, sem consentimento, por homens que se tornavam “invisíveis”. Na ocasião, houve uma grande mobilização online, que resultou em protestos pelas ruas de várias cidades do Brasil.

Agora a Leo Burnett quer convencer a todos de que se tornou engajada contra algo que há pouco tempo defendeu. E teria convencido, caso tivesse feito a lição de casa. Afinal, se uma agência publicitária não tem conhecimento sobre o tema abordado na campanha, o mínimo que deve ser feito é uma pesquisa séria e profunda. Há dezenas de textos online gratuitos falando sobre revenge porn, assim como instituições e ONGs feministas que poderiam falar sobre o assunto com propriedade e responsabilidade. No mínimo, o infame trocadilho com “vazamentos” de sangue menstrual não teria sido aconselhado.

Todo esse circo armado nos leva ao inevitável questionamento: a publicidade brasileira não consegue fazer algo bom e que não seja misógino? Na cartilha dos publicitários só é possível tratar mulheres de forma estereotipada e machista ou errar miseravelmente numa tentativa de ser consciente? Não é difícil compreender que é possível fazer propagandas sem machismo, mesmo que não tenham a intenção de conscientizar os consumidores a respeito de algo.

A Safernet também precisa rever, com urgência, sua ineficiência didática e sua postura omissa. Para conversar sobre vídeos íntimos publicados sem consentimento da mulher, é preciso falar diretamente com os responsáveis por essa violação de privacidade e autonomia. Algo que a ONG deveria saber sem que nenhuma feminista precisasse explicar.

Mas, como está evidente, o Feminismo brasileiro ainda tem muito o que ensinar para publicitários, ONGs e empresas. Se a Leo Burnett, a Always ou a Safernet estiverem dispostas a organizar um seminário voltado para marcas e publicitários brasileiros, acredito que muitas ativistas se disponham a facilitar uma oficina. Quem sabe, com um grande aulão, finalmente aprendam como ter respeito pelas consumidoras.

Foto de capa: Divulgação



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11 comments

  1. pedro Responder

    Só vejo mimimi, um bando de retardados que procuram uma causa para protestar.

    1. Lau Carvalho Responder

      Pedro, vai chupar um canavial de rola vai.

    2. Bruna Responder

      Só vejo mimi de macho querendo dar opinião onde NÃO SABE DE NADA!

    3. Jess Responder

      Concordo com o Pedro, mimimimimi
      A galera reclama de tudo, ta louco

      1. arthur Responder

        Publicidade é uma coisa ridícula Intrinsicamente

  2. Alice Responder

    Acho a publicidade br um porcaria, machista e também achei horrível o vazamento. Mas também acho que ao invés de só dar pau, deveriam saudar que o tema venha a debate. Achei uma boa sacada o viral e acho que a campanha, seja lá quem fez, é muito válida. Acho, inclusive, que ela colabora muito mais para desfazermos a opressão do que a infantil utilização do termo “omi”. O machismo está presente há milhares de anos, não vamos desconstituí-lo de uma hora para outra e sem elementos que dialoguem e levem a sociedade à reflexão. E pode ter certeza que essa reflexão não será causada pelos métodos e expressões das radfems.

  3. eduardo Responder

    Discordo…tudo bem, a agência poderia aprofundar mais sobre o tema, mas a ideia foi apenas chamar atenção para essa questão. Muitas mulheres que passaram por essa situação deixaram que isso afetasse suas vidas e a propaganda apenas diz que elas não podem deixar que um vazamento prejudique sua vida pessoal. Quanto ao trocadilho, pode até ter sido pobre, mais foi interessa Não vi o que está no site, mas na propaganda em nenhum momento falar para que as mulheres não tirem fotos íntimas. O fato de ter sido iniciado com um viral para ganhar visibilidade foi bem pensado…na verdade acho que grupos que defendem um causa geralmente são extremista e foi o que aconteceu nesse texto…para as feministas qualquer atitude
    envolvendo mulheres será machista, para o socialistas toda ação capitalista só existirá o lado prejudicial. Como disse Alice, a propaganda chamou atenção para o tema. Porque vocês que estão crucificando tanto nunca fizeram algo com essa visibilidade e com seus pontos?

  4. Maiana Responder

    Contra o mundo machista fica complicado lutar. Precisamos é de mulheres que recusem a fazer essas propagandas ridículas!

  5. Leonardo Responder

    Titulo da matéria é ridiculo, simplesmente englobaram todos os publicitarios brasileiros com essa campanha que sim foi ridicula mas que existem grandes publicitarios talentosos no Brasil, o Brasil tem um forte mercado na area com grandes profissionais atuando dentro e fora do país, e muitos com premios cannes, vamos pararem de ser hipócritas entrando na modinha de só criticar o Brasil, pode ser sim um país de corruptos porem tem pessoas muito talentosas e criativas

  6. Rafa Responder

    Acho engraçado como alguns homens falam com tanta propriedade, diminuindo os vazamentos, e até os abusos. As pessoas se esquecem que, embora a grande maioria de vítimas sejam mulheres, esse tipo de coisa também acontece com os homens.
    Dai, quando fizerem uma propaganda ridicularizando um homem que foi estuprado ou que teve um vídeo vazado, vai todo mundo meter a boca.

    Porque foi isso que fizeram. Ridicularizaram. Disseram que o vazamento de um vídeo pessoal, íntimo, é o mesmo que um vazamento de menstruação. Mas todo mundo sabe que não. Se seu absorvente vaza, você amarra uma blusa na cintura e tenta trocar de calça o mais rápido possível. Mas e se um vídeo seu vazar? Eles não explicaram o que fazer.

    Se um vídeo seu vazar, as pessoas com quem você convive, gente que nunca te viu na vida… Eles vão ver. Vai saber. Vão te julgar. Você vai receber olhares tordos por onde for, às vezes, para o resto da vida.

    Mas se seu absorvente vazar, vão, no máximo, fazer uma piadinha sobre isso em uma roda de cerveja.

    Vazar um vídeo é uma violação do corpo. É uma exposição sem consentimento e é crime. Não é piada para vender absorvente.

  7. Santos Responder

    As mulheres gostam de vida facil e feita, muita fama a sem sofrer. Por isso se entrgam a tudo e todos desde que haja dinheiro. E gostam


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