‘País não vive crise na dimensão que dizem’, afirma Dilma em São Paulo

A presidenta afirmou hoje (10), na abertura do 21º Salão Internacional da Construção, em São Paulo, que o país passa por um momento de desaceleração econômica, mas que não vive uma crise com a dimensão projetada por alguns setores.

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A presidenta afirmou hoje (10), na abertura do 21º Salão Internacional da Construção, em São Paulo, que o país passa por um momento de desaceleração econômica, mas que não vive uma crise com a dimensão projetada por alguns setores

Por Redação RBA

A presidenta Dilma Rousseff afirmou hoje (10), em discurso na abertura do 21º Salão Internacional da Construção, em São Paulo, que o país passa por um momento de desaceleração econômica, mas que não vive uma crise com a dimensão projetada por alguns setores.

“O Brasil passa por um momento difícil, mais difícil do que tivemos em anos recentes, mas nem de longe estamos vivendo uma crise das dimensões que alguns dizem que estamos vivendo. Passamos por problemas estritamente conjunturais, porque nossos fundamentos hoje são sólidos”, afirmou. “Não ignoro a desaceleração desse setor (construção civil) vivenciada no momento atual. Tenho trabalhado para superá-la ainda este ano.”

A presidenta assegurou que o país não passa e não passará por uma crise como as vivenciadas no passado. “Temos um elevado volume de reservas internacionais. Por isso, somos hoje um país muito diferente. Não temos mais uma crise que paralisa e quebra o Brasil. Temos condições de avançar para outro patamar. As medidas tributárias e de correção não vão comprometer as conquistas sociais e tampouco vão fazer o país parar ou comprometer seu futuro.”

Dilma lembrou que entre 2011 e 2014 a União absorveu “parte importante” da carga negativa da crise econômica mundial e que agora a economia enfrenta uma segunda etapa da crise, que demandará ajustes por parte do governo brasileiro. Ela lembrou que houve uma queda na arrecadação de receitas brasileiras no final do segundo semestre do ano passado, sentida nas receitas de todos os entes federados.

“Na primeira etapa protegemos o emprego, desoneramos e subsidiamos pesadamente os governos estaduais. Nesta segunda etapa vamos ter que ajustar”, afirmou Dilma. “Não estou dizendo que vamos acabar com nossa concepção política: o Minha Casa, Minha Vida permanece intacto, o Bolsa Família também. Outras ações, que contavam com desonerações, que já eram contracíclicas, terão ajustes, porque não conseguimos manter o mesmo ritmo que antes.”

De acordo com a presidenta, o setor de construção civil alcançou um patamar superior nos últimos anos, motivado pelas obras dos Programas de Aceleração do Crescimento (PAC) e pelo Minha Casa, Minha Vida. Entre 2003 e 2014, o saldo do crédito imobiliário passou de R$ 20,5 bilhões, ou 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, para R$ 497,9 bilhões, o equivalente a 9,7% do PIB. O emprego no setor mais que dobrou no período, de 1,1 milhão de postos de trabalho para 2,7 milhões. “Uma parte importante das 44 milhões de pessoas que chegaram à classe média tiveram na construção civil seu primeiro degrau.”

Dilma afirmou todas as obras já contratadas no PAC serão mantidas e que o governo federal planeja lançar ainda este mês a terceira etapa do programa, com investimentos também em logística, concessões e parcerias público-privadas, que viabilizam a construção de portos, aeroportos e infraestrutura para oferta de energia e água.

Além disso, o governo também lançará a terceira etapa do Minha Casa, Minha Vida, que terá como meta contratar 3 milhões de unidades habitacionais até 2018, superando as metas das duas primeiras etapas de, respectivamente, 1 milhão e 2,7 milhões. “Vamos aprimorar para garantir mais qualidade nas moradias, seja para atender às mudanças do mercado, seja para acelerar o programa em áreas metropolitanas, onde os terrenos são caros”.

Foto de capa: Robert Stuckert Filho



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