“Elas perderam a noção do limite”, diz organizadora de curso de “atualização para secretárias do lar”

"Horário? Vestimenta? Limpar os cantinhos e as estantes altas? Tampar o pote e organizar a geladeira? Desperdício? Uso de produtos de limpeza? Pendurar o pano de prato no ombro? Enfim, o programa está fantástico! Traga sua secretária do lar para este treinamento!", diz anúncio...

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“Horário? Vestimenta? Limpar os cantinhos e as estantes altas? Tampar o pote e organizar a geladeira? Desperdício? Uso de produtos de limpeza? Pendurar o pano de prato no ombro? Enfim, o programa está fantástico! Traga sua secretária do lar para este treinamento!”, diz anúncio do evento no Facebook

Por Redação

No próximo dia 25, acontecerá, no Rio de Janeiro, um curso de “atualização para secretárias do lar”. O evento foi idealizado pela carioca Lisa Mackey, com base em uma pesquisa que ela afirma ter feito sobre o “comportamento” de empregadas domésticas.

De acordo com postagem feita por Mackey no Facebook, o curso tem o objetivo de promover “uma reciclagem, um treinamento para as empregadas que são de confiança, que o empregador não quer trocar, mas precisa de uma reciclagem”. “Horário? Vestimenta? Limpar os cantinhos e as estantes altas? Tampar o pote e organizar a geladeira? Desperdício? Uso de produtos de limpeza? Pendurar o pano de prato no ombro? Enfim, o programa está fantástico! Traga sua secretária do lar para este treinamento!”, diz a publicação.

Em entrevista ao jornal O Globo, a organizadora do curso disse que as empregadas domésticas “perderam a noção do limite”. “Passei um ano e meio trabalhando em casa e quase enlouqueci”, contou Mackey à coluna da jornalista Cléo Guimarães.

Confira, abaixo, a íntegra das respostas:

“Por que você criou este curso?
Porque eu passei um ano e meio trabalhando em casa e quase enlouqueci com as empregadas.


Como assim?

Senti que elas perderam a noção do limite. Teve uma que eu pedi para chegar às 7h30 e botar a mesa do café. Ela disse para mim:  ‘Eu não! Imagina se vou botar mesa de café para madame!’. Essa falta de limite foi muito lembrada também na pesquisa que fiz.

O Brasil é um do únicos países do mundo em que ainda é comum ter uma empregada doméstica sempre por perto para te servir, que dorme num quartinho dos fundos…
Sim, tenho uma amiga que mora fora e fica chocada com isso. Mas é muito cultural, né? As condições no Brasil não favorecem a vida sem as empregadas, no exterior você vê mil eletrodomésticos que facilitam a vida, comidas pré-prontas. Aqui não tem muito isso. 

Quais as falhas mais comuns citadas na pesquisa?
Alguns exemplos: empregada que pendura o pano de prato no ombro; a que fala muito ao celular e depois diz que não deu tempo de passar toda a roupa; a que se recusa a usar touca e uniforme; e as que ficam falando das tragédias do bairro onde moram. Muitas têm vergonha de usar uniforme de doméstica na rua. Eu não entendo isso. É um símbolo de status. As empregadas de novela usam. A roupa mostra que ela tem um emprego bacana, que a patroa se preocupa com o seu visual.”

(Foto: Divulgação/”Domésticas”)



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