Intervindo no machismo cotidiano

É relativamente comum a noção de que, para combater a violência contra a mulher, é necessário combater o machismo na vida cotidiana. No entanto, muitas vezes as pessoas sequer sabem por onde começar; afinal,...

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É relativamente comum a noção de que, para combater a violência contra a mulher, é necessário combater o machismo na vida cotidiana. No entanto, muitas vezes as pessoas sequer sabem por onde começar; afinal, o machismo está por todos os lados e, muitas vezes, até mesmo identificá-lo se torna um desafio.

Por ser um valor cultural da sociedade, o machismo é algo rotineiro e se faz presente nas mais diversas formas de expressão. Devido a seu alto nível de naturalização, atitudes machistas se deixam “escapar” inadvertidamente da maioria das pessoas. Os frequentes comentários de reprovação quando uma mulher usa roupas “curtas ou justas demais”, as piadas a respeito do mau humor feminino – que supostamente seria sempre devido à TPM – ou mesmo os xingamento de “puta” e “vadia” na hora da raiva são exemplos fáceis de serem lembrados.

Apesar disso, o enfrentamento a esses machismos “pequenos” pode ser muito eficiente para conquistar objetivos maiores. Afinal, confrontar a misoginia no momento em que ela se mostra, mesmo que só apareça em doses pequenas, é uma excelente estratégia para promover a conscientização e a reflexão de quem comete atitudes machistas. Desse modo, quando alguém que fala coisas ofensivas contra as mulheres é questionado e confrontado a respeito de seu comportamento – principalmente por familiares ou amigos próximos -, essa pessoa recebe a oportunidade de repensar suas atitudes e pode, gradativamente, passar a se sentir inibido a ofender as mulheres.

É assim que funciona: o seu questionamento diante de um ato de violência, por menor que possa parecer, é um ato importante para impedi-la. A omissão é uma permissividade perigosa que trabalha em prol dos agressores. Se ninguém se opõe ao machismo, é lógico que o machismo continuará sendo praticado. Para muita gente, pode ser difícil levantar a voz na hora necessária – e essa dificuldade nem sempre existe por medo de confrontar a misoginia, mas sim porque é muito cômodo não receber a fama de chato e implicante que enxerga problema em tudo.

No entanto, apontar o problema do machismo é mandatório – até mesmo para salvar vidas, porque o machismo mata. A mentalidade de que mulheres devem se vestir somente de uma certa maneira, não podem sair sozinhas, não devem levantar a voz ou enfrentar homens autoritários, entre outros exemplos, é a mentalidade que fortalece os espancamentos, a violência, o abuso psicológico, o assédio sexual, o estupro e o feminicídio – que é o assassinato de mulheres por motivações machistas.

É indispensável que deixemos de ser lenientes com os machistas, se desejarmos uma sociedade onde as mulheres tenham o direito de viver. Esse deve ser um hábito com os círculos de amizade, nos ambientes de lazer, no trabalho e em família. A partir do momento em que você assume o compromisso de enxergar o machismo e combatê-lo, se tornará muito mais fácil identificá-lo no cotidiano. A escolha, então, fica em suas mãos: calar-se e permitir que a misoginia continue sendo reforçada e reproduzida, ou fazer alguma diferença para barrar a cultura de ódio contra as mulheres.

Foto de capa: Reprodução / Facebook



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