“Instrumento de Deus”: Cunha põe evangélicos no comando da Câmara

Presidente escolhe para Diretoria de Recursos Humanos servidora que jamais ocupou cargo de chefia na instituição; antes, já havia nomeado o deputado Cleber Verde (PRB-MA), da bancada evangélica, para coordenar toda a parte de comunicação da Casa.

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Presidente escolhe para Diretoria de Recursos Humanos servidora que jamais ocupou cargo de chefia na instituição; antes, já havia nomeado o deputado Cleber Verde (PRB-MA), da bancada evangélica, para coordenar toda a parte de comunicação da Casa

Por Redação

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), nomeou na última semana a servidora Maria Madalena da Silva Carneiro para chefiar a Diretoria de Recursos Humanos da Casa. As informações são do site Congresso em Foco. O deputado designou Maria Madalena – que é evangélica, advogada e teóloga de formação – para exercer a função a partir da última quarta-feira (18).

Segundo foi apurado, a nova funcionária irá comandar o setor da Câmara responsável pela maior dotação orçamentária da instituição: cerca de R$ 4,2 bilhões, segundo o descritivo “despesa com pessoal”. Ou seja, mais de 80% do orçamento da Câmara para 2015. Sobre a indicação, Madalena disse ao Congresso em Foco que Eduardo Cunha foi o “instrumento de Deus” nesse processo, mas negou qualquer influência de caráter religioso na escolha do deputado.

Antes, ela havia ocupado funções modestas e jamais exerceu cargo de chefia. Seu trabalho anterior era guardar livros nas estantes da biblioteca e também já foi responsável pela emissão de segunda via de crachás. Madalena entrou na Câmara dos Deputados sem passar por concurso público, mas se tornou funcionária de carreira em função de um dispositivo incluído na Constituição de 1988, que efetivou servidores que à época trabalhavam na administração federal.

Uma semana antes da nomeação, Eduardo Cunha obteve a aprovação em Plenário de um projeto de resolução da Mesa Diretora que dá ao próprio presidente da Câmara o poder de decidir o secretário de Comunicação Social da Casa entre os deputados.

Assim, o escolhido para chefiar a estrutura comunicacional da Câmara – que inclui serviços de TV, rádio, mídia impressa e internet – foi o deputado Cleber Verde (PRB-MA), membro da bancada evangélica. Vários parlamentares criticaram a decisão, por Cleber não ter qualquer formação na área e se declarar, segundo seu registro oficial, como “vendedor autônomo, professor, servidor público e bacharel em Direito”.

Foto de capa: ASCOM/Eduardo Cunha



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