Opinião: O craque Renato e o golaço de Dilma

A nomeação do professor Renato Janine Ribeiro para o Ministério da Educação foi, em muitos meses, uma das poucas boas notícias relativas ao governo Dilma.

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Por Wagner Iglecias

A nomeação do professor Renato Janine Ribeiro para o Ministério da Educação foi, em muitos meses, uma das poucas boas notícias relativas ao governo Dilma. Intelectual sofisticado e independente, com sólida formação em universidades europeias, experiência anterior de gestão na área e grande capacidade de diálogo. E sem nenhuma mácula relativa à malversação de dinheiro público. Um nome de peso, enfim.

Sua convocação lembra aquela situação do futebol em que um time traz do exterior um grande craque. Que de repente chega com o campeonato já em andamento e que faz a torcida contar nos dedos os minutos que faltam para ele entrar em campo e ajudar, com seu toque de bola refinado, a conduzir o time à vitória. E que faz a torcida adversária engolir em seco e ter de reconhecer seu talento.

Não a toa o anúncio do nome de Janine na noite de sexta-feira despertou, no meio político e nas redes sociais, esperança e reconhecimento.

Esperança do lado dos partidários de Dilma. Que passam a avaliar que a presidente finalmente possa estar se desvencilhando das tantas amarras que lhe tem sido impostas por aliados e adversários e finalmente retomando a iniciativa em direção a uma gestão que atenda, de fato, a uma agenda mais progressista.

E reconhecimento por parte de adversários. Ou ao menos daqueles que buscam fazer a crítica honesta, visando um país melhor, e não apenas a troca de comando de modo a serem favorecidos.

As tantas manifestações positivas em relação ao novo ministro deixam entrever que, se por um lado há muita gente querendo o fim deste governo, por outro há ainda muitos os que têm esperança de que ele ainda possa se reerguer e trabalhar pela construção de um país mais justo e democrático.

Janine Ribeiro estará a frente de um Ministério estratégico. E se lhe forem dadas as condições necessárias, poderá fazer uma gestão histórica. Tomara. Que o país do futebol venha a ser, de verdade, a pátria educadora.

Wagner Iglecias é doutor em Sociologia e professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP.

(Foto: Tatiana Ferro)



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