Empresário acusado de fraudar licitação é citado como arrecadador de campanhas de Richa

Luiz Abi Antoun, denunciado pelo Ministério Público do Paraná, é também primo do governador tucano Por Redação...

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Luiz Abi Antoun, denunciado pelo Ministério Público do Paraná, é também primo do governador tucano

Por Redação

Luiz Abi Antoun (Roberto Custodio/Jornal de Londrina)
Luiz Abi Antoun (Roberto Custodio/Jornal de Londrina)

O empresário Luiz Abi Antoun foi citado por Marcelo Caramori, ex-assessor do governo do Paraná, em depoimento ao Ministério Público como sendo o responsável pela arrecadação de recursos para as campanhas eleitorais de Beto Richa (PSDB), governador do estado pelo segundo mandato consecutivo. As informações são do jornal Gazeta do Povo.

Em oitiva realizada em 5 de fevereiro, Caramori afirmou que Antoun, preso no último dia 16 por envolvimento em esquema de fraude de licitações, se incumbe de “bancar campanhas políticas e arrecadar dinheiro proveniente dos vários órgãos do estado”. O empresário teria ainda poder para indicar ocupantes de cargos comissionados “em pontos estratégicos do estado”, como “chefes de fiscalização e das polícias”, exercendo “fundamental tarefa nesse esquema de arrecadação”.

Exemplo da influência de Antoun sobre a máquina pública seria a indicação do ex-inspetor geral de fiscalização da Receita Estadual, Márcio de Albuquerque Lima, suspeito de integrar um esquema de sonegação que funcionaria na Delegacia da Receita de Londrina. Junto a outros fiscais e auditores investigados, ele é acusado de cobrar propina de empresários que tinham dívidas com a Receita e então quitar o débito sem que o estado recebesse o dinheiro..

De acordo com Caramori, “Lima exerce importante tarefa” no esquema de arrecadação supostamente montado por Antoun, o que teria motivado sua nomeação como inspetor geral em junho do ano passado – cargo que exerceu até 2 de março, três dias antes do MP realizar pedido de busca e apreensão em seu escritório em Curitiba. A responsabilidade pela nomeação seria do próprio governador, de quem Lima é parceiro de corridas automobilísticas.

“Parentesco distante”

Beto Richa e Luiz Abi Antoun  (terceiro da esquerda para a direita) juntos em foto tirada supostamente durante réveillon em Foz do Iguaçu (Reprodução)
Beto Richa e Luiz Abi Antoun (terceiro da esquerda para a direita) juntos em foto tirada supostamente durante réveillon em Foz do Iguaçu (Reprodução)

Uma semana após ser preso, Luiz Abi Antoun foi solto por conta de um habeas corpus concedido pela Justiça. Ele é um dos sete denunciados pelo Ministério Público paranaese, no último dia 27, pelos crimes de formação de organização criminosa, falsidade ideológica e fraude à licitação.

A denúncia integra a Operação Voldemort, que investiga um suposto esquema de fraude em licitações para prestação de manutenção dos veículos oficiais do Estado do Paraná, na região de Londrina. Conforme a promotoria, Antoun liderou o grupo entre o início de 2013 e março de 2015, quando a oficina Providence Auto Center foi contratada em regime de emergência. As apurações apontam que o empresário seria o verdadeiro proprietário da Providence, cujo dono formal, Ismar Ieger, seria, na verdade, um laranja.

Desde que veio à público a ligação de Antoun com o escândalo, o governo do Paraná tem se esforçado para distanciá-lo da imagem de Beto Richa, de quem é primo. No último sábado (28), em entrevista a uma emissora de TV, o tucano tentou colocar panos quentes na situação dizendo que seu sua relação com Antoun é de “parentesco distante”. “É da minha relação social com várias outras pessoas e temos algum convívio”, declarou Richa.

Sobre Márcio de Albuquerque Lima, o governador disse apenas que ele é funcionário de carreira da Receita do estado. “Conheço ele de práticas de automobilismo”, adicionou.

(Foto de capa: Ricardo Almeida/ANPr)



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