Aprovação de Dilma e Governo Federal despenca como um Castelo de Cartas

O que faz a atuação da presidenta Dilma e de seu governo, que há 3 meses, era aprovada por 52% dos eleitores, agora ser avaliada positivamente por apenas 12%, sendo que, entre seus próprios...

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O que faz a atuação da presidenta Dilma e de seu governo, que há 3 meses, era aprovada por 52% dos eleitores, agora ser avaliada positivamente por apenas 12%, sendo que, entre seus próprios eleitores, a queda foi de 63% para 22% (dados CNI/IBOPE)? Ter se sustentado como em um Castelo de Cartas. Mesmo que esta pesquisa tivesse sido manipulada pela mídia e oposição, é inegável o sentimento de frustração e desconfiança, não só em relação ao desempenho do governo como um todo, como em relação ao desempenho pessoal da presidente da república. E negar este fato é o melhor caminho para manter as cartas no chão, até que o governo e a presidente não consigam mais recuperar a imagem. Mas há que entender os motivos.

O principal foi o sentimento de traição quando, na campanha eleitoral, a candidata dizia uma coisa e, 4 dias depois de eleita, a presidente deu um giro de 180 graus em sua proposta. E isto não é um fato novo, em 1998 o presidente Fernando Henrique Cardoso agiu exatamente da mesma forma, quando na campanha dizia que não mexeria no câmbio, mantendo o Real sobrevalorizado e tão logo reeleito, com os mesmos 4 dias de diferença, promoveu a desvalorização. E com o mesmo efeito político, provocando uma brutal corrosão na popularidade de FHC, a ponto de os sucessivos candidatos à presidência pelo PSDB até esconderem a imagem do ex-presidente. De tão cegos na busca pelo poder os estrategistas do governo (e da campanha eleitoral) esqueceram-se deste fato recente, semelhante ao atual momento do governo. Muito provavelmente, se o país não enfrentar tragédia política maior, é o que tenderá a acontecer com o atual governo e a presidente Dilma.

Todos devem se lembrar de uma peça da campanha eleitoral, em que banqueiros soturnos tiravam a comida da mesa do trabalhador, em alusão ao que a candidata Marina Silva (e também Aécio) fariam caso eleitos. E o que a presidente Dilma fez logo após eleita? Chamou o presidente do conselho administrativo do maior banco privado do Brasil, o BRADESCO e pediu que o presidente do Banco fosse cedido para o cargo de Ministro da Fazenda. Como provavelmente “doutor” Brandão considerou a proposta indevida (por desfalcar o banco de seu principal quadro), cedeu um funcionário de segundo escalão, o ChicagoBoy Joaquim Levy, para aplicar exatamente a política econômica que a campanha eleitoral induzia os eleitores a acreditar que retiraria comida de suas mesas. Com isso o Brasil segue como campeão mundial em juro público real (5,28% ao ano) e transfere mais de R$ 150 bilhões ao ano, fora a inflação, para os bancos e as 20.000 famílias mais ricas, que aplicam no Tesouro. E para suportar tudo isso: redução em programas sociais e investimentos, aumento de impostos e corte em direitos sociais e trabalhistas. Quem se lembra da frase “nem que a vaca tussa”? Para não ficar em uma análise abstrata, vale exemplificar o impacto desta política de cortes em direitos trabalhistas e sociais. No caso do Seguro Desemprego, a exigência de permanência mínima de 18 meses com carteira assinada para o usufruto do primeiro seguro desemprego significa excluir milhões de jovens deste direito, como aqueles que trabalham em Telemarketing (emprego de altíssima rotatividade, em que as pessoas mal conseguem permanecer por alguns meses). O mesmo em relação ao Seguro Defeso para pescadores artesanais, que precisarão comprovar 3 anos em atividade na pesca; mas se o Defeso impede que ele pesque durante alguns meses do ano, o que um jovem pescador irá fazer para sobreviver neste período? Pescar ao arrepio da lei, uma vez que a Medida Provisória o impedirá de receber o Seguro; ou seja, com esta medida perde o jovem ribeirinho, caiçara ou piraquara, que ficará sem o seguro de um salário mínimo nos meses em que não puder pescar e perderá também o ambiente, demostrando que o governo pouco está se importando em relação a isto. Há também os cortes para pensões, viúvas e orfãos, mas vamos ficar apenas nos dois primeiros exemplos. Também houve o aumento real no imposto de renda, sobretudo para assalariados de classe média, com o não reajuste da tabela do Imposto conforme a inflação do ano anterior (e mesmo o governo tendo cedido em negociação, continuou havendo um aumento real no imposto para pessoas que ganham mais de 4 salários mínimos e que, a rigor, nem deveriam ser consideradas de classe média). Quanto a taxar os mais ricos, até o momento, nenhuma medida.

Junto a estas atitudes, que só cobram sacrifício de um lado da pirâmide social, o “toma lá dá cá” deslavado na nomeação de ministros, em que pouquíssimos se destacam pela competência e vários representam o oposto de tudo que o PT e os que antes apoiavam o governo e o defendiam em termos de ideias e ideais. Também a incapacidade em apresentar propostas esperançosas, o corte orçamentário em áreas sociais, a paralisia em investimentos e os escândalos de corrupção. O fato é que o governo agiu com desonestidade política e intelectual ao não sinalizar na campanha eleitoral que este seria o caminho que teria que adotar a partir de 2015 (admitindo-se que não havia outro caminho a tomar, mas há). Pensou apenas no “vencer a qualquer custo” e sob uma marquetagem superficial e até mesmo aética. Faltou honestidade no debate com o eleitor, fato que não ocorreu em 2002, quando Lula, por mais que se discorde das medidas previamente anunciadas (que asseguravam compromisso com o tripé macroeconômico – superavit primário, meta de inflação e câmbio flutuante), apresentou a “Carta aos Brasileiros”, acalmando o Mercado e dizendo exatamente o que iria fazer caso eleito, e fez. Agora, governo o PT pagam pela avidez marqueteira na campanha eleitoral e por isso caem como um frágil Castelo de Cartas.

PS – no próximo artigo vou analisar as medidas que deveriam ser tomadas para reverter este quadro, enquanto há tempo (se é que ainda há tempo).



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