Site propaga ódio aos negros

Imagens do projeto fotográfico #AHBRANCODAUMTEMPO foram alteradas com frases de ódio, deboche e forte preconceito contra os negros; saiba como denunciar casos de racismo na internet.

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Imagens do projeto fotográfico #AHBRANCODAUMTEMPO foram alteradas com frases de ódio, deboche e forte preconceito contra os negros; saiba como denunciar casos de racismo na internet 

Por Maíra Streit

Lutar contra o racismo foi a principal motivação da estudante de Antropologia da Universidade de Brasília (UnB), Lorena Monique, ao criar o tumblr #AHBRANCODAUMTEMPO. Inspirada em uma campanha da Universidade de Harvard, ela desenvolveu um ensaio fotográfico com pessoas que transitavam pelo campus e pediu que posassem com frases preconceituosas que já ouviram.

“Você é um negro de alma branca”, “Você lava o seu cabelo?”, “Sempre quis saber como é uma negra na cama” foram algumas das mensagens trazidas nas fotos pelos participantes. Porém, não demorou muito para a iniciativa causar incômodo entre os mais conservadores. As imagens, criadas para combater a discriminação, foram alteradas com frases de ódio, deboche e forte preconceito contra os negros. Os autores da ação ainda não foram identificados.

Na opinião de Lorena, idealizadora do projeto, esse tipo de ataque evidencia ainda mais a necessidade de enfrentar o problema. “Sempre existiram covardes que desestimulam e ridicularizam toda a nossa luta, por mais simplória que seja. A estes, tenho a missão de dizer que não me deixarei abater, sinto que somos vistos, sinto que causamos desconforto e isto é um bom sinal. Sou forte, somos fortes. A luta é minha, a luta é nossa, a luta é de todos que almejam igualdade real nos direitos sem distinção de gênero, cor, credo e opção sexual”, afirmou.

O caso pode ser considerado crime cibernético, por promover o ódio e a violência contra indivíduos com base em questões raciais. De acordo com informações da organização não governamental SaferNet, em nove anos de funcionamento a entidade já recebeu quase 470 mil denúncias de racismo, envolvendo 69 mil páginas na internet, vinculadas a 54 diferentes países.

As queixas podem ser feitas aqui e, após análise, serão enviadas para o Ministério Público e a Polícia Federal para que se inicie uma investigação. No caso de sites estrangeiros, a SaferNet encaminha para canais de denúncias internacionais.

Compare algumas fotos originais do projeto e como ficaram depois das alterações:

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