RJ: Menino de dez anos morre baleado no Alemão; moradores culpam PMs

Em vídeo postado nas redes sociais, criança que seria Eduardo de Jesus Ferreira aparece caída no chão. Segundo testemunha, ele estava sentado na porta de casa quando foi atingido por um tiro na cabeça

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Em vídeo postado nas redes sociais, criança que seria Eduardo de Jesus Ferreira aparece caída no chão. Segundo testemunha, ele estava sentado na porta de casa quando foi atingido por um tiro na cabeça

Por Redação

(Foto: Reprodução/Facebook)
Eduardo de Jesus Ferreira sonhava em ser bombeiro (Foto: Reprodução/Facebook)

Na tarde da última quinta-feira (2), o menino Eduardo de Jesus Ferreira, de 10 anos, foi baleado na cabeça e morto. Ele estava sentado na porta de sua casa, no Conjunto de Favelas do Alemão, no Rio de Janeiro, quando foi atingido por um tiro, que os moradores da comunidade afirmam ter sido disparado por um policial militar.

A morte repercutiu depois que viralizou nas redes um vídeo no qual uma criança aparece caída chão e ensanguentada. Nas imagens, é possível ver agentes do Batalhão de Polícia de Choque (BPCHoque) e ouvir pessoas os chamando de “covardes” e “assassinos”.

Posted by Mídia Independente Coletiva – MIC on Jueves, 2 de abril de 2015

Ao portal G1, a doméstica Terezinha Maria de Jesus, de 40 anos, mãe de Eduardo, diz ter certeza de que foi um policial do Batalhão de Choque o responsável pela morte de seu filho. “Eu marquei a cara dele. Eu nunca vou esquecer o rosto do PM que acabou com a minha vida. Quando eu corri para falar com ele, ele apontou a arma para mim. Eu falei ‘pode me matar, você já acabou com a minha vida’”, contou. “Ele estava sentado no sofá comigo. Foi questão de segundos. Ele saiu e sentou no batente da porta. Teve um estrondo e, quando olhei, parte do crânio do meu filho estava na sala e ele caído lá embaixo morto.”

Abalada, Terezinha lembrou que o sonho de Eduardo era ser bombeiro. “Tiraram o sonho do meu filho. Tiraram todas as chances dele. Eu fazia de tudo para ele ter um futuro bom. Aí vem a polícia e acaba com tudo”, lamentou. “Ele sempre falava que queria ser bombeiro. Ele estudava o dia inteiro, participava de projeto na escola, só tirava notas boas. Por que fizeram isso com meu filho?.”

Uma testemunha entrevistada pelo jornal Extra confirma a versão da mãe da criança. “Foi tiro à queima roupa. Ele estava estudando com caderno na porta de casa. O policial atirou e ficou olhando. Está espalhando para todo mundo que o menino estava com pistola. É mentira. Era estudante. Depois que todos os moradores foram para cima do policial, ele fugiu pela mata”, relatou, afirmando ainda que o menino era aluno do 5º ano de uma escola pública em Olaria, bairro vizinho à comunidade onde vivia Eduardo.

Em nota, a Polícia Militar admitiu a morte e informou que homens do Batalhão de Choque foram recebidos a tiros por criminosos na comunidade do Areal. “Houve confronto e um menor foi baleado”, comunica o texto. O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), também lamentou o fato, mas se limitou a dizer que determinou “empenho máximo à polícia nas investigações para que os culpados sejam punidos”.

O garoto é a quarta vítima fatal na região desde a quarta-feira (1), quando morreram baleados outros dois menores de idade e uma mulher de 40 anos.

Nova classificação

Embora o Complexo do Alemão, formado por quinze favelas, conte com quatro bases de Polícia Pacificadora – a UPP foi instalada na região em 2012 –, o tráfico de drogas ainda está presente. Há duas semanas, ao lançar o novo padrão de classificação das comunidades em que há presença de UPPs, o local foi qualificado como “área de bandeira vermelha” – onde existe resistência do tráfico e risco para a ação da polícia.



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