Desconstruindo o choque de gestão mineiro

Ao contrário do que prometiam os governadores tucanos, muitos dos vícios apontados na área federal reproduziram-se de forma mais intensa em Minas. A diferença de imagem reside unicamente na oligopolização da mídia e na forma enviesada da cobertura

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Ao contrário do que prometiam os governadores tucanos, muitos dos vícios apontados na área federal reproduziram-se de forma mais intensa em Minas. A diferença de imagem reside unicamente na oligopolização da mídia e na forma enviesada da cobertura

Por Luis Nassif, no Jornal GGN

Nas eleições norte-americanas de 1877, o magnata William Henry Smith, um dos principais acionistas da Western Telegraph (o monopólio estatal de telégrafo sem fio) e da Associated Press (única agência de notícias do país) aliou-se ao New York Times para promover a candidatura de Rutherford Hayes à presidência da República.

A estratégia adotada foi a de enaltecer cada espirro de Hayes e desconstruir cada declaração do adversário.

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Esse modelo de atuação política da mídia atravessou o século 20.

Hoje em dia tem-se uma Lei de Acesso à informação que, universalizada, permitirá construir indicadores de desempenho de cada governante. Mas, por enquanto, dados, especialmente estaduais, ficam em uma caixa preta que só é aberta quando assume um novo governador.

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É o caso do modelo de gestão de Minas Gerais, pelo PSDB.

Seu início foi promissor, resolvendo a questão do déficit fiscal de Minas, implementando ferramentas de gestão do setor privado, definindo planos de ação detalhados.

Depois, gradativamente foi perdendo vitalidade especialmente depois que o ex-governador Aécio Neves submeteu o sucessor, Antônio Anastasia, a um conjunto de acordos políticos que na prática desmontaram a gestão do estado.

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Esta semana o novo governador, Fernando Pimentel, divulgou no site Diagnóstico MG (http://migre.me/pn72E) os resultados da apuração feita sobre o trabalho do seu antecessor.

Um dos argumentos para a construção da Cidade Administração era o da redução dos custos de aluguéis. De 2010 a 2014, os gastos com alugueis saltaram de R$ 13 milhões para R$ 65 milhões.

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Na área da Inovação, por lei estadual o estado investe 1% do ICMS na Fapemig (Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais). Em 31 de dezembro passado, estavam retidos, sem uso, cerca de R$ 580 milhões, o equivalente a um ano e meio de seu orçamento. Mesmo abrigando algumas das melhores universidades federais, o estado obteve apenas 7% dos repasses do Ministério de Ciência e Tecnologia, contra 27% de São Paulo e 19% do Rio de Janeiro.

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Na saúde, segundo a Secretaria estadual o rombo é de R$ 1,5 bilhão. Dos 12 hospitais regionais, apenas o de Uberlândia ficou pronto. Outros três não saíram do papel e oito estão com as obras paradas.

De janeiro de 2006 a janeiro de 2015 houve redução de quase 5 mil leitos nos hospitais que atendem à rede SUS, o correspondente a 13% dos leitos.

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Andou-se para trás mesmo em programas que não dependiam de recursos estaduais.

Até fins de 2014, apenas 25% dos municípios mineiros tinham acesso ao SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) fornecido pelo Ministério da Saúde . Minas tornou-se o terceiro estado do país com menor cobertura de ambulâncias. Segundo o site, bastaram três meses, para esse percentual saltar para 55%.

O mesmo ocorreu com a oferta de remédios na rede pública. Em janeiro faltavam 165 tipos diferentes de medicamentos, 77 dos quais eram de grupos de alto risco.

O belíssimo trabalho inicial da Secretaria foi desmontado, depois que acordos políticos de Aécio entregaram o comando a aliados políticos.

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Muitos dos vícios apontados na área federal reproduziram-se de forma muito mais intensa em Minas. A diferença de imagem reside unicamente na oligopolização da mídia e na forma enviesada da cobertura.



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