Jean Wyllys: “Nunca vou sentar ao lado de Bolsonaro”

Em entrevista a portal, deputado explica porque se recusou a viajar ao lado de Jair Bolsonaro (PP-RJ): "É o mesmo que esperar que um judeu sente ao lado de um nazista que participou da empresa de extermínio de judeus"

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Em entrevista a portal, deputado explica por que se recusou a viajar ao lado de Jair Bolsonaro (PP-RJ): “É o mesmo que esperar que um judeu sente ao lado de um nazista que participou da empresa de extermínio de judeus”

Por Redação

Em entrevista ao portal iGay, o deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ) falou sobre a última polêmica em que o também deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) o envolveu. Na semana passada, Bolsonaro publicou em suas redes sociais vídeo no qual Wyllys aparece se recusando a sentar ao seu lado em avião que iria do Rio de Janeiro para Brasília. Na legenda, disse que se sentiu “discriminado” pelo colega, acusando-o de ter praticado “heterofobia”.

“Acho curioso que haja gente que cobre de mim que fique ao lado desse homem. Desculpe, eu nunca vou ficar, nunca, do lado dele. Quantas vezes ele sentar ao meu lado no avião, vou levantar”, disse Wyllys em parte da entrevista, divulgada nesta segunda-feira (13). “E não é heterofobia. No avião havia outros tantos héteros e eu vim do lado de uma mulher hétero maravilhosa, professora da FGV. Primeiro porque ‘heterofobia’ não existe. Segundo, porque o avião está cheio de héteros. Portanto, as pessoas que estão comprando a tese da heterofobia’, eu digo para vocês: ponham seus neurônios para raciocinar. No máximo, o que eu tive foi uma ‘fascistofobia’, uma fobia de fascistas, de escroques”.

Wyllys relembra diversos episódios em que Bolsonaro deu não só a ele, mas a qualquer pessoa, motivos para não querer voar ao seu lado. “Esse homem foi capaz de empurrar uma deputada em pleno Salão Verde e chamá-la de ‘vagabunda’ na frente das câmeras. Esse senhor agrediu a senadora Marinor Brito diante das câmeras. Esse senhor deu um soco no senador Randolfe Rodrigues em frente ao DOPS, em uma manifestação contra os torturadores que estão impunes”, destacou, dentre outras situações.

“É impossível que as pessoas percam a memória em relação ao que esse cara fez. Não estou lidando com amador, estou lidando com um homem perigoso. Ele entrou no avião já me filmando, ele sabia que sentaria do meu lado”, adicionou Wyllys. “É o mesmo que esperar que um judeu sente ao lado de um nazista que participou da empresa de extermínio de judeus. É o mesmo que esperar que um negro sente ao lado de um racista contumaz que ataca a comunidade negra.”

Confira a seguir fala completa do deputado:

 

iGay: “Não voaria e não voarei ao lado daquele senhor”Na última semana, algumas pessoas pareciam sofrer de amnésia, inclusive parte da imprensa que comprou uma tese de “heterofobia” (sic) sem tecer qualquer crítica a esse tipo de falácia absurda. Eu tenho memória e, por isso, decidi relembrar alguns fatos neste vídeo, um trecho de uma entrevista exclusiva que vocês vão conferir em breve no iG igay: http://bit.ly/1NxnV5e ”

Posted by Jean Wyllys on Lunes, 13 de abril de 2015

 

 

Leia também: Bolsonaro, ‘heterofobia’ não existe

(Foto: Reprodução)



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