Ativistas LGBT convocam “beijato” no Rio em repúdio à agressão em bar

Manifestação ocorre nesta sexta-feira, em Botafogo; na mesma região, no início do mês, grupo de ativistas foi agredido por funcionários de bar.

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Manifestação ocorre nesta sexta-feira (17), em Botafogo; na mesma região, no início do mês, grupo de ativistas foi agredido por funcionários de bar 

Por Anna Beatriz Anjos

(Reprodução/Facebook)
Após a confusão, Lucas Pinheiro teve hematomas (Reprodução/Facebook)

Um “beijato” em repúdio à agressão de que foi vítima um grupo de LGBTs em um bar em Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro, está marcado para esta sexta-feira (17). Os manifestantes se encontrarão às 19h na estação de metrô Botafogo, próxima ao estabelecimento alvo da manifestação.

O fato ocorreu em 2 de abril, justamente após protesto contra ataque sofrido por um casal gay que se beijava em uma praça em Laranjeiras, também na região sul do Rio, no dia 1º de março. Ao fim da passeata, quando a maioria das pessoas já havia ido embora, alguns participantes fizeram uma parada no bar Durangos, onde recomeçaram o ato. Neste momento, funcionários do local agrediram a travesti Indianara Siqueira, presidente do grupo Transrevolução, e os manifestantes Lucas Pinheiro e Bruno Mattos, que receberam chutes e socos.

Quando se iniciou a confusão, a estudante de Letras Maria Clara Mangeth se reunia com amigos em um bar do outro lado da rua. Ela então se aproximou e testemunhou o episódio. “Cadeiras voavam, pessoas gritando, se batendo, havia uma mulher com um megafone (que agora eu sei que era uma trans, Indianara)”, relatou post no Facebook. “Poderia ser uma briga de rua, mas de repente surgiram tocos enormes de madeira, um facão, garrafas quebradas e aquele urro de ‘Não suporto vocês aqui, saiam!'”.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Pinheiro explica o que aconteceu. “O Alexandre, que é o dono do Durangos, veio interceptar a gente e pedir para que parássemos de falar, de fazer o som – inclusive, a Indianara estava com o megafone, ele pediu para ela ficar quieta. Nisso outras pessoas começaram a se meter na situação (…) alguns clientes que estavam lá sentados, com alguns discursos homofóbicos e transfóbicos, chamando o Bruno de ‘bichona’ e a Indianara de ‘trava louca'”, relembra. “Veio o filho dele [Alexandre], Matheus, de dentro do bar, e me derrubou no chão. Nesse momento, eu meio que apaguei. Não consegui reagir muito ao que estava acontecendo (…) Só senti os encontrões, umas pressões no peito e na cabeça, que depois fui perceber que eram socos e chutes que eu estava levando”.

Os ativistas, junto a Maria Clara e suas amigas, acabaram indo à delegacia, onde prestaram depoimento e registraram o boletim de ocorrência. De acordo com Indianara, as vítimas entrarão com ação cível contra o Durangos. Para ela, o protesto de hoje e a medida legal servem de aviso. “Não nos violentarão mais sem revanche. Não nos silenciarão. E ocuparemos os lugares e formaremos grupos de resistência até que o governo nos proteja através de leis”, argumenta.

Na fanpage do bar, o proprietário Alexandre Flores se manifestou sobre o caso. “Somos uma equipe consciente de nosso dever, responsabilidades e direitos, aos quais, no contraditório que prevaleça as autoridades, que não seja feito juízo de valor antecipado ou por intenções não tão claras”, escreveu. Flores declarou, ainda, que tem “pessoas de várias opções sexuais” trabalhando para ele, “inclusive homossexuais”.



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