Nassif: O mercado volta a sorrir para a Petrobras

Os campeões da Bolsa exploraram a falta de conhecimento dos demais investidores jogando as ações da Petrobras para baixo quando anunciado o nome do novo presidente. Agora, miraculosamente, tudo está sendo resolvido

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Os campeões da Bolsa exploraram a falta de conhecimento dos demais investidores jogando as ações da Petrobras para baixo quando anunciado o nome do novo presidente. Agora, miraculosamente, tudo está sendo resolvido

Por Luis Nassif, no Jornal GGN

Há diversas técnicas de análise dos movimentos de bolsa.

A mais técnica é a chamada análise fundamentalista, que se concentra nos fundamentos objetivos das companhias e dos mercados. Há diversas outras técnicas visando captar os chamados movimentos de manada. Algumas valem-se de teses matemáticas avançadas, supondo que os movimentos, mesmo irracionais, seguem alguma lógica identificada por fórmulas padrão.

No fundo, as regras são simples:

  1. Há operadores de primeiro time, não só antenados com os movimentos da economia e da política, como com os fundamentos dos ativos em que investem.

  2. Como possuem bala na agulha, conseguem alavancar os movimentos de alta ou de baixa dos ativos provocando o chamado “overshooting”, isto é, a radicalização de cada movimento. E como são bons fundamentalistas, tem uma noção de qual será o ponto de equilíbrio do ativo, passada a fase manada.

  3. Entram no efeito manada investidores internos mas, principalmente, externos pouco enfronhados nos bastidores da economia e da gestão das empresas. Grande parte desses investidores movem-se exclusivamente pelo noticiário da mídia.

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É por aí que se entendem os movimentos em torno da Petrobras, primeiro perdendo valor, quase virando pó, depois se recuperando à medida em que se aproximava a data da publicação do seu balanço – incluindo as tais perdas com a corrupção identificada na Lava Jato.

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De concreto, a empresa enfrentou um conjunto de fatores negativos.

Primeiro, a queda nas cotações de petróleo, afetando sua rentabilidade.

Depois, o período de compressão dos preços dos combustíveis, simultaneamente ao aumento dos seus investimentos no pré-sal, obrigando-a a um pesado processo de endividamento.

Finalmente, os escândalos mostrando problemas sérios de governança, tudo isso agravado pela inexplicável demora do governo Dilma em efetuar mudanças na diretoria, para zerar o passado.

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Por outro lado, não havia como ignorar o sucesso da empresa com a tecnologia de águas profundas, o aumento consistente da produção de petróleo e as vantagens de uma cadeia integrada entre produção, refino e distribuição.

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A indicação de Aldemir Bendini, ex-presidente do Banco do Brasil, para presidir a Petrobras foi o primeiro acerto de Dilma. A Petrobras tem quadros de excelência para formular a visão estratégica da companhia, o desenvolvimento tecnológico e a exploração racional do pré-sal.

Faltava-lhe o know how de governança interna, a engenharia financeira para equacionar as dívidas e o conhecimento necessário para resolver os problemas de balanço – justamente as competências desenvolvidas por Bendini no BB.

Os campeões da Bolsa exploraram a falta de conhecimento dos demais investidores jogando as ações da Petrobras para baixo quando anunciado o nome do novo presidente.

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Agora, miraculosamente, tudo está sendo resolvido. O mercado recuperou o bom humor, atribuindo a mudança à bem sucedida apresentação do Ministro da Fazenda Joaquim Levy para investidores internacionais. Clareia-se o horizonte para os investimentos externos.

É provável que hoje caiam as ações da Petrobras, devido à chamada realização de lucros. Depois, se fixarão em um patamar compatível com os fundamentos atuais da companhia.

Atendido o mercado, falta agora apenas o essencial: um plano de vôo para o segundo governo Dilma.

Foto: Agência Petrobras/Divulgação



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