Altamiro Borges: Chile pune barão da mídia. No Brasil…

Tribunal de Ética e Disciplina do Colégio de Jornalistas aprovou nesta semana a expulsão de Augustín Edwards Eastman, proprietário do Grupo El Mercurio, por apoiar o golpe militar e a sanguinária ditadura no Chile, que torturou e matou milhares de opositores

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Tribunal de Ética e Disciplina do Colégio de Jornalistas aprovou nesta semana a expulsão de Augustín Edwards Eastman, proprietário do Grupo El Mercurio, por apoiar o golpe militar e a sanguinária ditadura no Chile, que torturou e matou milhares de opositores

Por Altamiro Borges, em seu blogue

O Tribunal de Ética e Disciplina do Colégio de Jornalistas do Chile aprovou nesta semana a expulsão de Augustín Edwards Eastman, 87 anos, proprietário do Grupo El Mercurio, que controla os jornais El Mercurio e La Segunda e outros veículos de comunicação no país. O poderoso império é parceiro da Globo no Grupo de Diários da América (GDA), que reúne os barões da mídia da América Latina. O empresário foi expulso do Colégio de Jornalistas por apoiar o golpe militar e a sanguinária ditadura no Chile, que torturou e matou milhares de opositores.

Segundo a entidade, a decisão é “histórica”. Há farta documentação que comprova que o empresário Augustín Edwards recebeu, no início dos anos 1970,  dinheiro da famigerada CIA para desestabilizar o governo eleito democraticamente de Salvador Allende. “As suas ações ajudaram a implementar o golpe de estado em 11 de setembro de 1973”, afirma o órgão dos jornalistas. Na sequência, os seus veículos de comunicação, em especial o jornal El Mercurio, deram total sustentação às atrocidades do carrasco Augusto Pinochet. Como compensação, a monstruosa ditadura ajudou a fortalecer o império midiático do empresário golpista e fascista.

“Este é um passo muito importante para a nossa escola. Indica que a esta altura da nossa democracia, um órgão colegial como o nosso, que defende a democracia, não está disposto a ter membros que tenham sido cúmplices em atos tão obscuros para o Chile, como tortura, detenção e morte”, afirma o comunicado oficial do Tribunal de Ética do Colégio de Jornalistas do Chile. Em outros países da América Latina, como na Argentina, Uruguai e Venezuela, a relação dos barões da mídia com as ditaduras militares – apoiadas pelos EUA – também têm sido investigadas.

Já no Brasil, a poderosa Rede Globo – que apoiou o golpe e deu total sustentação à ditadura militar – segue exibindo um patética retrospectiva sobre os seus 50 anos de existência. Ela tenta esconder as suas mãos sujas de sangue e evita explicar como se deu a construção do seu império – com base em inúmeras benesses e mamatas dos generais golpistas. Lamentável! Um atentado à história do Brasil!



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