Terremoto no Nepal “não foi surpresa” e já havia alerta para risco de desastre, dizem sismólogos

Em painel da ONU no mês passado, chanceler nepalês também advertira sobre risco: 'somos vulneráveis'; já foram confirmadas 2.300 mortes no tremor

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Em painel da ONU no mês passado, chanceler nepalês também advertira sobre risco: ‘somos vulneráveis’; já foram confirmadas 2.300 mortes no tremor

Do Opera Mundi

“Este terremoto definitivamente não foi uma surpresa. O último evento semelhante nesta parte do Himalaia foi há uns 500 anos, que é aproximadamente a média de tempo em que se produzem estes eventos”, avaliou Marin Clark, geofísico da Universidade de Michigan, em comunicado divulgado neste domingo (26).

Até o momento, já foram confirmadas mais de 2.300 mortes em função do terremoto, a maior parte concentrada na região central do país, aos pés do Himalaia. Com epicentro a 80 quilômetros da capital Katmandu, o sismo de magnitude 7,8 na escala Richter afetou, em diversos graus, mais de 4,6 milhões de pessoas, segundo estimativas das Nações Unidas.

Além do geofísico norte-americano, outros analistas também dizem que já haviam alertado para o risco de a região do vale de Katmandu, área mais atingida pelo sismo, sofrer um novo grande terremoto. Combinado à alta densidade populacional, à precariedade dos imóveis e à falta de estrutura, um eventual forte abalo — dizem os sismólogos — teria grandes chances de resultar em uma tragédia como a que atingiu o Nepal neste final de semana.

Advertência “premonitória” na ONU

Uma das pessoas a advertir sobre os riscos da ocorrência de uma tragédia de grandes proporções na região foi o próprio chanceler nepalês — justamente em uma conferência da ONU para discutir a redução do risco de desastres naturais, realizada no mês passado.

“O Nepal continua sendo um dos países do mundo mais vulneráveis [a desastres naturais]. Estimamos que a perda de vidas no Vale de Katmandu seria catastrófica se ocorrer um grande terremoto”, dissera o ministro Mahendra Bahadur Pandey na conferência realizada em Sendai, capital de uma das regiões japonesas mais afetadas pelo terremoto e tsunami que atingiram o litoral do país em 2011.

O Vale do Katmandu é uma região de alto risco sísmico, por estar no limite entre as placas indiana e eurasiana. A proximidade entre as duas placas, após milhões de anos de lento avanço, criou a cordilheira mais alta do planeta.

Catástrofes cíclicas

As construções, não preparadas para resistir a fortes impactos, contribuíram em grande medida para o alto número de vítimas do maior tremor da região desde 1934, quando um movimento de magnitude 8,1 matou mais de 19 mil pessoas.

A ONG californiana Geohazards International, que promove projetos para reduzir o impacto de catástrofes naturais em países pobres, já tinha avisado que a cada mais ou menos 75 anos o Vale de Katmandu é cenário de um terremoto intenso.

Em 12 de abril a organização indicou em um relatório que, “com um crescimento populacional do 6,5% ao ano, o Vale de Katmandu tem uma das maiores densidades populacionais do mundo e as 1,5 milhão de pessoas que vivem aí enfrentam um grave risco sísmico”.

“Este terremoto se ajusta exatamente ao cenário previsto, do afundamento da placa indiana sob a placa eurasiática”, assinalou em comunicado hoje Ben Van der Pluijm, professor de Meio Ambiente da Universidade de Michigan.

Helen Clark, administradora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, lembrou que o Nepal trabalhou “duro” para reduzir sua exposição a desastres, mas “é um país de baixo desenvolvimento e seus recursos são limitados”.

(Foto: Laxmi Prasad Ngakhusi/UNDP Nepal)



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