A prova da VERDADE sobre os 17 PMs presos em Curitiba

Primeiro foram os boatos. Boatos em meio à perplexidade, à revolta, à indignação. Histórias desencontradas de uma gente perdida e aflita, ouvindo bombas de efeito moral, inalando gás de pimenta, apanhando de cacetetes, sendo...

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Primeiro foram os boatos. Boatos em meio à perplexidade, à revolta, à indignação. Histórias desencontradas de uma gente perdida e aflita, ouvindo bombas de efeito moral, inalando gás de pimenta, apanhando de cacetetes, sendo alvo de balas de borracha,  recebendo chutes e pontapés e mordidas de cães (não mais pastores alemães, agora pitbulls). Dois professores morreram em meio à manifestação. Não era fato (ainda bem!). 50 professores feridos, não, 100, não, mais de 200, vários com ferimentos graves. Fato. A brutalidade da Polícia. Fato. 17 PMs presos por insubordinação, por negarem-se a reprimir professores, não, 53, não, 17.  Fato. Depois boato. Depois negativa. A imprensa noticia ( http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2015/04/29/no-pr-17-policiais-se-recusam-a-fazer-cerco-a-professores-e-sao-presos.htm ). Fato. A notícia se alastra nas REDES Sociais, começam ações em solidariedade, a busca por mais informações. De imediato escrevi um artigo rápido aqui neste blog, em solidariedade aos PMs presos e defendendo sua imediata libertação. O comando da Polícia Militar vem a público para desmentir o fato. A imprensa acata a versão e também desmente (http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2015/04/30/nenhum-policial-foi-preso-durante-manifestacao-diz-porta-voz-da-pm-do-pr.htm ). O fato transforma-se em boato.

E a Verdade? Está nos fatos, nas versões ou no procedimento sincero, na retidão e na pureza das intenções de quem ainda acredita na boa fé humana? Desejávamos por este ato de coragem dos 17 heróis PMs, torcíamos pela lucidez de gente que se recusa a ser coisa. O boato tornou-se verdade. Mas será mesmo que foi só boato? Fui consultar amigos entre professores e funcionários públicos do Paraná e confio na resposta de um deles (apenas resguardo o nome para preserva-lo, pois é parente de Policial Militar), assim como desconfio da nota do Comando da Polícia Militar do Paraná:

Na real Celio Turino, não gosto de misturar minha família com meu ativismo. Mas houve sim as prisões. Devido a péssima repercussão, a PM tá tentando dizer que ninguém foi preso. 
O buraco ta bem mais embaixo do que os veículos de comunicação estão p
assando. 
Por exemplo, teve professor que foi preso, ficou sumido + de 24h, sem dar entrada em nenhuma delegacia de Curitiba e depois reapareceu, mas está se negando a falar sobre o que aconteceu.
Na manifestação de ontem, teve menor de idade que tb foi preso, mas não existe registro disso. 
No dia 29, teve helicóptero q deu vôo razante com alguma arma sonora, q chegou a derrubar pessoas e barracas, mas a polícia tb nega o ocorrido.
O ministério público estadual estabeleceu um email para que enviem imagens e vídeos para serem investigados, garantindo o anonimato das fontes.”

Verdade, mentira, fato, boato. De que lado estar? Onde começa o real? Não terá sido apenas sonho? Mas se sonho foi, por que, a um simples comunicado do comando da PM, corremos em afirmar que não foi real? Afinal, como dizia Paul Valéry “Antes de sermos reais, somos sonhados”. Por isso sigo ao lado dos 17 PMs presos no Paraná, 17 homens de bem que, de tão honrados, sequer precisamos saber os seus nomes, pois eles são nós e nós somos eles.



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