Anúncio em jornal procura menina de ‘12 a 18 anos’ para trabalhar como babá

Fórum entrou em contato com autor do anúncio, que afirmou se tratar de um “equívoco”; para a especialista em trabalho infantil, Isa Oliveira, o recrutamento de crianças e adolescentes para o serviço doméstico pode ocultar uma série de violações de direitos, como castigos físicos...

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Fórum entrou em contato com autor do anúncio, que afirmou se tratar de um “equívoco”; para a especialista em trabalho infantil Isa Oliveira, o recrutamento de crianças e adolescentes para o serviço doméstico pode ocultar uma série de violações de direitos, como castigos físicos e abusos sexuais

Por Maíra Streit

No último sábado (2), os classificados de um jornal de Belém (PA) traziam o anúncio de um casal de empresários à procura de uma menina de 12 a 18 anos para trabalhar como babá. A garota precisaria morar com a família e cuidar de um bebê de 1 ano. O casal se diz evangélico e afirmou ter a intenção de “adotar” a adolescente.

Depois que o episódio ganhou repercussão nas redes sociais, Fórum entrou em contato com Israel Bahia, que se apresentou como “procurador” da família. Foi ele quem encomendou o anúncio. Porém, alegou que a faixa etária apresentada no texto não passou de um equívoco do jornal. “Com milhões de pessoas trabalhando como escravas e a violência que acontece no país, vocês vêm se preocupar com erro de uma atendente de anúncio?”, questionou.

Para a secretária-executiva do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI), Isa Oliveira, a tentativa de apadrinhamento de crianças e adolescentes em troca de trabalho é uma situação comum e pode esconder uma série de violações de direitos, como agressões verbais e castigos físicos.

Segundo ela, esse tipo de serviço no Brasil ainda carrega uma herança dos tempos da escravidão. “No caso do trabalho infantil doméstico, mais de 90% são meninas. E, dessas, 60% são negras”, afirma Isa, ressaltando que normalmente as trabalhadoras vêm de comunidades pobres e têm no emprego a ilusão de uma vida melhor.

No entanto, a especialista alerta que, na prática, o que se vê são jornadas extenuantes, pouco tempo para o lazer e para os estudos, além de um sentimento de abandono e exclusão. Há ainda relatos de abusos sexuais, que são mais difíceis de serem descobertos por ocorrerem dentro de casa. “Tudo isso fica muito oculto”, destaca.

Foto de capa: Divulgação



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