Pelo que e por quem batem as panelas no Brasil?

O Panelaço e o Caviar. Acho que um dos direitos mais sagrados de uma democracia é o de gritar, bater panela, ser contra, enfim, criticar, um governo. Até mesmo falar mal da própria democracia, como...

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O Panelaço e o Caviar.

Acho que um dos direitos mais sagrados de uma democracia é o de gritar, bater panela, ser contra, enfim, criticar, um governo. Até mesmo falar mal da própria democracia, como fizeram uns malucos pedindo o fim dela, meses atrás, propondo uma intervenção militar, claramente acessória de uma mudança principal, que seria de regime de governo. A ditadura que se iniciou após o golpe de 64 começou assim.

Mas, voltando aqui à nova moda de bater panelas nas grandes varandas de bairros, estes, em sua maioria, ditos nobres, penso também que esse ritual remete a uma coisa meio surreal, principalmente quando há milionários participando e promovendo os batelaços (ou panelaços, como queiram), enquanto esperam o fim do ato cívico para depois ir comer foie gras e caviar beluga em algum restaurante de luxo. Surreal porque, enquanto isso, a imensa parte das periferias Brasil afora, com as suas panelas cheias, não vai nessa onda. Até porque o panelaço gourmet não reverbera contra o PL 4330 que legaliza as terceirizações no Brasil e precariza os direitos trabalhistas insculpidos na Constituição e na CLT, tampouco bate em favor dos professores espancados no Paraná, ou dos professores grevistas e contra a seca em SP. O panelaço não bateu nem baterá contra escândalos como o Trensalão, Operação Zelotes ou a favor da taxação das grandes fortunas. Ele também em sua grande maioria será omisso quanto à necessária Reforma Política, nem contra a demora do Julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade impetrada pela OAB Nacional no STF, a qual pretende tornar irregular o financiamento privado de campanhas, como bateriam contra o Mensalão do PT e não batem contra a demora do julgamento do Mensalão do PSDB de Minas.

Enfim, é um panelaço em sua maioria elitizado e seletivo e, em muitos casos, feito por quem tem a barriga cheia de ódio político. Mesmo assim, faz parte, é um direito lídimo, independente do patrimônio e classe social, bater panela quem quiser. Após tempos inglórios de uma nefasta ditadura militar, temos hoje o direito de protestar, de criticar, de falar livremente. Salvo, claro, o retorno à ditadura – aí até as panelas seriam caladas.

O que é o mais bonito da democracia é que, após um período (quatro anos no caso do Brasil, especificamente), você pode mudar um quadro que não gosta e, democraticamente, eleger um novo presidente. A Presidenta Dilma, como se sabe, já vai sair mesmo, pois acabou de ser reeleita democraticamente pela maioria dos brasileiros. Em 2018, você vai poder escolher um novo Presidente. O ex-Presidente Lula, aliás, pode vir a ser candidato, pois já dá sinais de ser um pré-candidato. Ele, que foi considerado o melhor Presidente da história do Brasil, em pesquisa recente do Datafolha (veja AQUI), parece ter virado o alvo principal da oposição, já antevendo o pleito de 2018.

Eu até diria que vai faltar panela, nessa hipótese. Entretanto, como não falta dinheiro para o esturjão nem para o fígado de pato, creio que não vai faltar. Se duvidar teremos até matérias especiais na televisão demonstrando como bater panela sem causar lesões, com a ajuda do seu personal trainer.



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