Aids e preconceito: Empresa pede para que funcionários não façam sexo com pessoas da cidade

Uma campanha elaborada por uma empresa de Santa Cruz do Sul (RS) pede para que as pessoas não tenham relações sexuais com moradores da região por conta do número de soropositivos; secretaria de Saúde do município considera o ato "criminoso" e "discriminatório"

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Uma campanha elaborada por uma empresa de Santa Cruz do Sul (RS) pede para que as pessoas não tenham relações sexuais com moradores da região por conta do número de soropositivos; secretaria de Saúde do município considera o ato “criminoso” e “discriminatório” 

Por Redação 

Vem circulando via Whatsapp e também nas redes sociais a polêmica foto de um cartaz que pede para que ninguém faça sexo com pessoas de Santa Cruz do Sul, cidade do Rio Grande do Sul. De tom abertamente preconceituoso, o anúncio justifica o pedido com um texto que afirma que, no município, há 950 pessoas vivendo com o HIV e ainda alerta que o estima-se que o número possa chegar a 2.500. Abaixo do texto, é possível ver uma pequena bolsa para que as pessoas retirem preservativos.

O caso chegou até a secretaria municipal de Saúde de Santa Cruz do Sul nesta quinta-feira (7) e constatou-se que, na verdade, o cartaz faz parte de uma campanha da empresa santa-cruzense de derivados de borracha, Mercur. Afixado nas paredes da companhia desde dezembro, o cartaz foi elaborado pela Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA).

Em nota, a empresa justificou a ação como uma tentativa de gerar conhecimento e mobilizar as pessoas em torno do assunto, para que passem a usar preservativos. Em nenhum momento, no entanto, a companhia reconhece o tom preconceituoso do “alerta”.

“O que procuramos fazer foi construir uma forma impactante de alertar para a situação, ligando o número de casos ao fato de que são, em sua maioria, anônimos e, por isso, não existe uma garantia de prevenção sem a utilização do contraceptivo”, diz a nota. “A campanha tem um cunho educacional e, se foi impactante, que bom. A intenção era essa”, completou a coordenadora de comunicação da Mercur, Fabiane Lamaison.

Já a secretaria municipal de Saúde de Santa Cruz do Sul não interpreta a ação da mesma forma. “É um ato criminoso, discriminatório, e que a gente precisa combater”, afirmou o secretário de saúde Henrique Hermany, pedindo ainda para que as pessoas não compartilhem mais a imagem do cartaz.

A secretaria alertou ainda para o fato de que o número impresso no cartaz não corresponde à realidade de Santa Cruz do Sul, mas contempla os casos de toda a região, que conta com mais municípios. Além disso, Hermany ressaltou que todos os casos conhecidos de HIV na cidade estão sob acompanhamento da administração municipal.

Reprodução/Facebook
Reprodução/Facebook

 

 



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