Anúncio falso expõe grávida negra na internet: “Vende-se um bebê por R$ 50”

A foto da jornalista Raíssa Gomes, de 25 anos, foi tirada em 2001, quando ela estava grávida de nove meses; para vítima, caso envolve racismo: "o que aconteceu comigo é somente um reflexo do que a sociedade pensa e reproduz"

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A foto da jornalista Raíssa Gomes, de 25 anos, foi tirada em 2001, quando ela estava grávida de nove meses; para vítima, caso envolve racismo: “o que aconteceu comigo é somente um reflexo do que a sociedade pensa e reproduz”

Por Redação

Anúncio foi apagado por volta das 19h
Anúncio foi apagado por volta das 19h (Reprodução/Facebook)

Na última segunda-feira (11), uma fotografia da jornalista Raíssa Gomes, de 25 anos, foi utilizada sem autorização em um falso anúncio de venda de bebê postado no Facebook em uma página de comercialização de produtos usados de Salvador. A mensagem “Vende-se um bebê! R$ 50. Como não achei Cytotec [remédio abortivo proibido no Brasil], eu e minha mulher resolvemos vender a criança” acompanhava a imagem de Gomes grávida de nove meses, tirada em 2011 – hoje seu filho já tem três anos.

A jornalista, residente em Brasília, conta que ficou sabendo da publicação – divulgada por volta das 14h – por meio de um amigo, morador da capital baiana. “Eu não denunciei no próprio site, justamente para ficar mais tempo e conseguir registrar. Nunca tinha passado por isso na internet”, relatou ao G1.

Raíssa, que registrou boletim de ocorrência sobre o fato, disse que a foto ilustrava um texto de combate ao racismo de sua autoria. “Fiz um texto para o site Blogueiras Negras, justamente retratando um caso de racismo que eu sofri porque estava grávida. Acho que ficou no Google, sei lá o que esse povo vai pesquisar. Esse perfil não tem nenhum amigo em comum, nada, nada”, afirma.

A Polícia Civil qualificou o episódio como “crime praticado pela internet”, mas Gomes tem certeza de que envolve racismo. “O que aconteceu comigo é somente um reflexo do que a sociedade pensa e reproduz. Já passou da hora das pessoas entenderem que não é um caso isolado; é necessário discutir abertamente sobre racismo no Brasil e a perpetuação dessas atitudes”, pontua.

Há duas semanas, outra situação semelhante ocorreu no Facebook, também com uma jornalista de Brasília. Ao alterar a imagem de seu perfil, Cristiane Damacena foi vítima de uma onda de insultos racistas. Nos comentários, os usuários a chamavam “macaca” e “escrava”. O caso é investigado pela polícia, pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República e pelo Ministério Público do Distrito Federal.

 



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