Gleisi Hoffmann sobre agressão a professores: “Um atentado contra os direitos humanos”

Em conversa com a Fórum, senadora paranaense defende uma investigação apurada para punir responsáveis pelo massacre a professores no último dia 29 e cobra providências no caso da estudante obrigada a ficar nua no Palácio Iguaçu; ela fala ainda sobre machismo na política e...

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Em conversa com a Fórum, senadora paranaense defende uma investigação aprofundada para punir responsáveis pelo massacre a professores no último dia 29 e cobra providências no caso da estudante obrigada a ficar nua no Palácio Iguaçu; ela fala ainda sobre machismo na política e a batalha de garantir 30% de vagas no Legislativo para as mulheres

Por Maíra Streit

Para a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), a discussão em torno do massacre aos professores paranaenses está longe de ter um fim. Ela defende que a ação policial que culminou em cerca de duzentos manifestantes feridos no último dia 29, em Curitiba, precisa ser investigada com ainda mais rigor.

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Ação truculenta da PM acabou com mais de duzentos manifestantes feridos (Foto: Reprodução/Facebook)

“Vimos na audiência pública da Comissão de Direitos Humanos (CDH), no Senado, para ter uma diligência da CDH lá, principalmente no que se refere àquela estudante que foi xingada e obrigada a ficar nua. É um atentado contra os direitos humanos. Não podemos admitir uma coisa dessas”, afirmou.

A parlamentar também prometeu esforço para tentar reverter a votação da Lei Estadual 18.469/2015, que extingue o fundo de previdência ParanáPrevidência e deu origem aos protestos dos servidores, abafados com truculência pela PM.

Em entrevista à Fórum, Gleisi falou ainda sobre a ação promovida pela bancada feminina do Congresso Nacional para garantir 30% das vagas para parlamentares mulheres, com o objetivo de diminuir a desigualdade entre os gêneros na política. Na Câmara, dos 513 deputados, hoje apenas 51 são mulheres; no Senado, há somente 13 senadoras dentre 81 parlamentares.

A proposta apresentada no Congresso é que a reserva de 30% das cadeiras valesse já para as próximas eleições e, a cada pleito, haveria um aumento de 5% na cota, para que em 20 anos metade das vagas no Legislativo seja composta por mulheres.

Confira abaixo a entrevista completa:

Fórum – De que forma a senhora, como senadora do Paraná, tem acompanhado os desdobramentos das agressões a professoras e professores ocorridas no último mês?

Gleisi Hoffmann – Nós lamentamos muito o que aconteceu e estamos procurando ajudar os servidores para definir as responsabilidades e que os responsáveis tenham punição em relação a isso. Vimos na audiência pública da Comissão de Direitos Humanos (CDH), no Senado, para ter uma diligência da CDH lá, principalmente no que se refere àquela estudante que foi xingada e obrigada a ficar nua. É um atentado contra os direitos humanos. Não podemos admitir uma coisa dessas, para que a gente possa ter uma responsabilização. Vamos fazer esforços também para reverter a votação da questão do fundo previdenciário, considerada ilegítima e inconstitucional.

Fórum – Sobre a proposta de cota de vagas no Congresso para as parlamentares, desde 1997 já é obrigatório que 30% das candidaturas dos partidos sejam reservados às mulheres. Por que, na prática, a ideia não deu tão certo?

Hoffmann – No início foi um avanço porque obrigou os partidos a agregarem as mulheres, mas a efetividade foi baixa. Logo colocaram candidaturas-laranjas para poder justificar os 30%. Por isso surgiu a ideia de colocar um percentual das cadeiras do Parlamento, como em outros países. Ainda não sabemos qual sistema vai prevalecer, mas propusemos que definam os números de cadeiras para, assim, os partidos investirem mais e lançarem mulheres competitivas, para que não tenham menos parlamentares.

Fórum – O Congresso tem, hoje, 90% de parlamentares homens e, em sua maioria, com uma visão extremamente conservadora. Não dá para esperar que eles atendam as demandas femininas…

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Bancada feminina no Congresso reivindica mais oportunidades para mulheres na política (Foto: Lucio Bernardo Jr./Câmara dos Deputados)

Hoffmann – Não dá para esperar. Inclusive tem bandeiras que geram retrocessos nos progressos que tivemos em relação às mulheres. No Plano Nacional de Educação (PNE), por exemplo, foi discutido para termos uma disciplina sobre gênero nas escolas. Fizemos uma movimentação muito grande. Mas diziam que não precisava, que ia levar para outras discussões.

Fórum – Por isso a importância da reforma política.

Hoffmann – Com certeza. Essa discussão está no bojo da reforma política, a reforma eleitoral. A gente espera que essa proposta vingue. A democracia só se completa quando sua população estiver representada de fato, com todos os gêneros. Se for representada pela metade, ainda não temos uma democracia efetiva.

Foto de capa: Jefferson Rudy/Agência Senado 



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