Chico de Oliveira: a direita existe mais na imprensa do que na população

"Não me preocupo com ondas conservadoras nas ruas porque os tucanos não são populares. Não conseguirão galvanizar essa tentativa de desestabilização com apoio popular. Os tucanos sempre evitam recorrer às ruas. Panelaço não é o povo quem faz. Esse tipo de movimento não tem...

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“Não me preocupo [com ondas conservadoras nas ruas] porque os tucanos não são populares. Não conseguirão galvanizar essa tentativa de desestabilização com apoio popular. Os tucanos sempre evitam recorrer às ruas. Panelaço não é o povo quem faz. Esse tipo de movimento não tem continuidade”, disparou em entrevista

Por Jornal GGN

“A crise parece muito grande, mas não é. O Brasil voltará a crescer, tem uma economia privilegiada e será uma sociedade mais igualitária. A burguesia do país é muito autoritária, mas seu jogo não vai prosperar. Os panelaços não terão continuidade.” É assim que a Folha de S. Paulo deste domingo (17) resume parte da entrevista com o sociólogo Francisco Maria Cavalcanti de Oliveira, 81, fundador do PT e do PSOL.

Crítico do Lulismo (acha conservador o governo do ex-presidente, apontou o jornal) e cético em relação aos últimos e futuros presidentes, Oliveira avaliou que a “concentração da crítica na Dilma é fogo de palha.” Para ele, os panelaços não terão continuidade pois não partem da massa popular que forma a maior parcela da população brasileira.

“Não me preocupo [com ondas conservadoras nas ruas] porque os tucanos não são populares. Não conseguirão galvanizar essa tentativa de desestabilização com apoio popular. Os tucanos sempre evitam recorrer às ruas. Panelaço não é o povo quem faz. Esse tipo de movimento não tem continuidade”, disparou.

Para ele, a “a direita existe mais na imprensa do que no movimento real de setores da população”, e o impeachment da presidente não vai para frente não só por falta de apoio na sociedade, mas porque “Renan Calheiros e Eduardo Cunha são fracos. Se fosse com o Ulysses Guimarães, Dilma estaria dançando miudinho.”

Segundo Oliveira, se a direita não tenha terreno para crescer, tampouco a esquerda tem se mostrado como opção sustentável. Isso porque, na visão dele, as esquerdas “são muito brasileiras: tendem mais à conciliação do que ao conflito”, e isso faz parecer que seus representantes não tenham projeto de longo prazo.

“A atual esquerda não tem projeto. Lula nunca teve, Dilma também não tem. O PT não sabe o que é o Brasil, não tem projeto. Está superado. Não vai acabar, mas não tem nada a dizer a respeito do desenvolvimento do Brasil. Vai empurrando com a barriga.”

A própria presidenta Dilma, de acordo com Oliveira, não tem solução para as mazelas do país. O que ela faz, na opinião do socialista, é um governo “médio e medíocre”. É um governo médio e medíocre. “Ela não é responsável pelos grandes males do país nem tem solução para eles. É uma presidente fraca. Votei com convicção nela nas duas vezes e não estou decepcionado. O governo não tem respostas para quase nada, mas não faz o programa do PSDB. Felizmente, apesar de governos fracos, a tentação autoritária não está voltando.”

Para o PT em 2018, ele prevê uma possível derrota, mas não provável. Lula terá de se reinventar. “De forma até radical, o que não é do estilo dele. Ou volta a fazer política de forma mais contundente e consistente ou se prepara para entregar o queijo para os tucanos. (…) Se houver um desastre e o PT for desalojado do poder, as burguesias nunca mais se esquecerão disso. Vão tentar manter o PT afastado.”

Leia a íntegra clicando aqui.

Foto: Reprodução



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