Shell admite que temperatura global aumentará o dobro do previsto

Um documento interno da petrolífera aponta como cenário provável o dobro do aumento da temperatura global que a comunidade científica definiu como limite para a segurança climática

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Um documento interno da petrolífera aponta como cenário provável o dobro do aumento da temperatura global que a comunidade científica definiu como limite para a segurança climática

Por Esquerda.net

Uma investigação do jornal Guardian revelou um documento de planejamento estratégico da Shell, que apresenta num cenário de aumento da temperatura global de 4ºC “a curto prazo”, passando depois para os 6ºC. “Não vemos os governos a tomarem medidas agora que sejam consistentes com o cenário dos 2ºC”, diz o documento “New Lens”.

O documento mostra como a multinacional reconhece o fracasso da meta global para conter as emissões de carbono a níveis que não permitam ultrapassar os 2ºC de aumento da temperatura média global até ao fim deste século. E as críticas dos ambientalistas – que na última semana aumentaram de tom após a administração Obama ter autorizado a empresa a perfurar no Ártico – não se fizeram esperar, com organizações a pôr em causa a credibilidade da empresa para voltar a falar de alterações climáticas.

“O que não se vê aqui é a percepção por parte da Shell do que acontecerá ao seu negócio se as alterações climáticas ultrapassassem o nível considerado seguro, com todas as consequências negativas no mundo para a alimentação, água, para não falar da energia”, declarou Charlie Kronick, da Greenpeace, citada pelo Guardian.

O diário britânico está promovendo uma campanha para apelar ao Wellcome Trust e à Gates Foundation que deixem de investir em empresas ligadas aos combustíveis fósseis. O primeiro tem uma fatia de 196 milhões de euros e a segunda de 8 milhões de euros.

Seattle protesta contra perfuração no Ártico

Antes de partir para o Alasca, a plataforma da Shell “estacionada” no porto de Seattle foi este sábado alvo de uma ação da “Flotilha Shell No!”. Centenas de caiaques rodearam a plataforma em protesto contra as prospecções de petróleo no Ártico.

Para esta segunda-feira está marcada uma jornada de ação direta não violenta junto ao porto onde a Shell armazena a maquinaria para perfurar os poços de petróleo autorizados pela Casa Branca, dois anos depois de acidentes na mesma zona terem deixado uma plataforma à deriva e levado a empresa a abandonar a exploração.

Foto NASA/Kathryn Hansen



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