O dia em que um ciclista contestou a mídia contrária às ciclovias

Voltando de bicicleta do trabalho pela Avenida Paulista, o ciclista foi parado por uma equipe de reportagem do Diário de S. Paulo, que fazia uma matéria sobre a suposta paralisação das obras da ciclovia no local. Ele não apenas contestou a tese do repórter...

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Voltando de bicicleta do trabalho pela Avenida Paulista, o ciclista foi parado por uma equipe de reportagem do Diário de S. Paulo, que fazia uma matéria sobre a suposta paralisação das obras da ciclovia no local. Ele não apenas contestou a tese do repórter como postou no Facebook sua versão sobre o episódio; confira

Por Redação

Na última terça-feira (19), o ciclista Thiago Ermel viveu uma situação inusitada na Avenida Paulista, região central de São Paulo, onde ocorre a construção de uma ciclovia. Voltando de bicicleta do trabalho, foi parado, na altura do MASP, por uma equipe de reportagem do Diário de S. Paulo. O jornalista fazia uma matéria sobre a suposta paralisação das obras no local, e entrevistou Ermel na esperança de que confirmasse a tese. Ele, então, rebateu as colocações do repórter e, no final das contas, seu depoimento não foi utilizado no texto, publicado na edição desta quarta-feira (20) do jornal.

Após o ocorrido, o ciclista decidiu postar no Facebook sua versão sobre o episódio. Confira:

“Hoje eu voltava pela Paulista, na altura do MASP, quando, ao parar num semáforo, um jornalista do Diário de São Paulo pediu uma entrevista sobre a ciclovia da Paulista. A conversa foi mais ou menos assim:

– Você passa aqui sempre?

– Todo dia, indo para o trabalho e voltando.

– A gente tá vendo que as obras da ciclovia estão paradas há algum tempo, você reparou nisso?

– Paradas? Acho que não. Aqui não tem nada porque está praticamente pronta. Mas lá na Bernardino de Campos está a todo vapor, e na Praça do Ciclista vi eles colocando asfalto pigmentado esses dias.

– Mas aqui está tudo parado, fechado…

– Acho que só vão abrir quando estiver totalmente pronta, né? Por uma questão de segurança.

– Mas as obras vão atrasar, vão passar da data limite.

– Olha, até onde sei o cronograma previsto era de seis meses… (nesse momento eu já tinha sacado a intenção de procurar picuinha para criticar ciclovias).

– Mas vai atrapalhar a Parada Gay, agora em junho.

(Só pensei: se com manifestação quase toda semana, inclusive muito grandes, não teve nenhum incidente com a ciclovia, porque teria num evento totalmente pacífico?)

– Acho que não atrapalha não… 

– E o pessoal reclama, diz que são pouco usadas.

– (Aí eu já comecei a ficar sem paciência.) Demanda induzida. Se você constrói uma via para carros, com o tempo mais carros passam a usar aquela via, até congestionar. Se constrói uma linha de metrô, ela vai enchendo e saturando aos poucos. É a mesma coisa com ciclovias.

– Isso é o que o prefeito diz. Primeiro as ciclovias, depois as bicicletas…

– Isso é o que os urbanistas dizem. Ele só está repetindo o que aconteceu e acontece em todo o resto do mundo. Mas eu tenho a impressão que quando esta ficar pronta, o uso vai surpreender os críticos.

– Sei. Mas e as obras, estão paradas, né?

– Cara, dá uma olhadinha nas pontas da Paulista. Checa lá que você vai ver que elas continuam.

– Tá. Podemos tirar uma foto sua com a bicicleta, ali no meio (na ciclovia)?

– Ah, não, né? Depois alguém vai dizer que eu estava usando a ciclovia sem estar pronta, sem segurança…

(O fotógrafo bateu ali mesmo, na calçada, com a ciclovia ao fundo. O repórter não gravou a fala, não fez uma anotação sequer – apenas meu nome, profissão e idade. A ver o quanto disso tudo aparecerá amanhã na matéria do Diário de SP).”

 

Hoje eu voltava pela Paulista, na altura do MASP, quando, ao parar num semáforo, um jornalista do Diário de São Paulo…

Posted by Thiago Ermel on Terça, 19 de maio de 2015



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