Bebel, da Apeoesp: “O governador precisa parar de calar a boca de funcionário público”

A categoria completa nesta terça-feira (26) 75 dias de greve e presidenta do sindicato dos professores da rede estadual de São Paulo critica medidas de 'cala boca' de Alckmin, como multas e corte de salários. “Greve que é resolvida assim não é resolvida, é...

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A categoria completa nesta terça-feira (26) 75 dias de greve e presidenta do sindicato dos professores da rede estadual de São Paulo critica medidas de ‘cala boca’ de Alckmin, como multas e corte de salários. “Greve que é resolvida assim não é resolvida, é empurrada”, diz a sindicalista

Por Ivan Longo

Professores da rede estadual de ensino de São Paulo completaram, nesta terça-feira (26), 75 dias de paralisação. Se a greve durar pelo menos mais uma semana, será a maior da história da categoria. Ainda assim, não há ainda a menor perspectiva de negociação, já que o governo do estado não apresentou nenhuma proposta para o reajuste salarial de 75% reivindicado pelos docentes.

Em entrevista coletiva concedida nesta terça-feira (26), a presidenta do sindicato da categoria (Apeoesp), Maria Izabel Noronha – a professora Bebel – criticou o que considera medidas autoritárias do governador Geraldo Alckmin (PSDB) que, segundo ela, são meios de tentar acabar com a greve e também com o sindicato.

“Ele quer fazer uma disputa política com a gente e quer acabar com o sindicato. Não vai conseguir. O Maluf tentou acabar com a gente e não conseguiu”, contou, lembrando quando o ex-governador, em 1979, cortou o repasse das mensalidades à Apeoesp, na tentativa de enfraquecer a entidade.

Para Bebel, Alckmin age de forma parecida ao determinar o corte do salário do professores grevistas e aplicar multas (a última chegou a R$ 300 mil) por atos e manifestações. “É necessário lutar pela livre negociação. O governador precisa parar com esse negócio de calar a boca de funcionário público. Ele tem poder de descontar salários! Greve que é resolvida assim não é resolvida, é empurrada”, criticou.

Mentiras 

Além do corte nos salário e das multas – que o sindicato está tentando recorrer – a presidenta fez críticas às recorrentes justificativas de Alckmin em relação à situação. O governador chegou a justificar a determinação de cortar os salários dos docentes paralisados com o suposto gasto de R$ 18 milhões para contratar professores temporários e não fechar salas de aula. A presidenta, no entanto, garantiu que essas contratações ocorrem desde o início do ano, independentemente da paralisação.

“O governador falta com a verdade várias vezes. Falta com a verdade quando fala que nos dá um salário de R$ 4.400; falta com a verdade quando, de longe, diz que a greve não existe; falta com a verdade também na questão dos professores temporários”, afirmou, lembrando ainda que Alckmin tenta, por vezes, utilizar como argumentos temas que não são de sua alçada. Nesta segunda-feira (25), o tucano chegou a dizer que a greve era apenas uma “briga entre PT e PSTU”.

“Ele, para mim, não está muito bem orientado. A equipe técnica da secretaria que deveria dar um norte melhor para ele resolver esse problema da greve, e não entrar em questões que não lhe dizem respeito. O que ele tem a ver com luta interna dentro do sindicato? Tem uma categoria que está em greve e quer, sim, ouvir qual o reajuste que o o governador quer dar”, afirmou.

Alckmin afirmou que em julho aplicará reajuste no salário da categoria pois garante que esse é o mês da data-base. O sindicato, no entanto, sempre trabalhou com a data-base no mês de março – determinação instituída pelo então governador Claudio Lembo, em 2006.

Crise? 

Entre as justificativas de Alckmin para não ceder o aumento salarial reivindicado, está o argumento de que estamos passando por “crise econômica”. A presidenta Bebel, no entanto, refuta.

“O [Fernando] Pimentel (PT) estava com R$7 bilhões de rombo em Minas Gerais e deu para os professores 32% de reajuste. O governador fica falando em crise econômica, mas e quando o momento estava bom? Por que ele não repassou para o nosso salário? Teve um momento em que o país cresceu 7,5% e não tivemos nenhum avanço”, argumentou.

Além da principal pauta – que é o reajuste de 75,33% no salário para equiparar com as demais categorias, conforme determina meta do Plano Nacional de Educação (PNE) – os docentes paulistas reivindicam, entre outros pontos, o fim das salas de aula superlotadas e do assédio moral, fim dos descontos das licenças médicas, pagamento dos dias parados, reposição das aulas e protestam contra a criminalização do movimento grevista.

Na próxima sexta-feira (29) o sindicato fará mais uma assembleia no vão livre do Masp para decidir o futuro da paralisação.

Foto: Apeoesp



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