Filho de Míriam Leitão encontra homem que entregou seus pais à ditadura militar

Os jornalistas Míriam Leitão e Marcelo Netto foram presos em 1972, quando eram militantes do PCdoB do Espírito Santo; Matheus Leite, também jornalista, passou quinze anos na busca pelo delator

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Os jornalistas Míriam Leitão e Marcelo Netto foram presos em 1972, quando eram militantes do PCdoB do Espírito Santo; Matheus Leite, também jornalista, passou quinze anos na busca pelo delator

Por Redação

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Míriam Leitão era militante do PCdoB do Espírito Santo quando foi presa pela ditadura, em 1972 (Foto: Matheus Leitão/Arquivo Pessoal)

Matheus Leitão, filho dos jornalistas Míriam Leitão e Marcelo Netto, finalmente localizou o homem que entregou seus pais ao regime militar. Matheus, que também é jornalista, passou quinze anos tentando resolver o mistério. Chegou à resposta no final do ano passado, por meio de memórias da própria família e do conteúdo de arquivos do Superior Tribunal Militar (STM).

O delator de Míriam e Marcelo é um senhor de 73 anos chamado Foedes dos Santos que hoje vive em um sítio em Cariacica (ES). “Sim. Entreguei [à ditadura] todos os que eu não tinha como deixar de entregar”, revelou a Matheus, quando se encontraram. A história é contada na reportagem “A Espera”, escrita pelo jornalista.

Netto e Míriam foram presos pelos militares em 1972, quando iam à praia, em Vitória (ES). À época integrantes do PCdoB capixaba, foram levados ao 38º Batalhão de Infantaria do Exército e submetidos a sessões de tortura, que incluíam socos, chutes, roletas-russas, cães ferozes e até cobras. Como, segundo ambos, Foedes circulava pelo batalhão sem marcas aparentes de tortura, ele parecia ter sido um agente infiltrado. Mas a hipótese se enfraqueceu após a apuração de Matheus, que, embora reconheça que não há como checar se o homem foi realmente torturado pelo regime, destaca que, nos documentos do STM, consta que Foedes foi recebido no batalhão a “socos e pontapés”.

“Eu sempre tive muitas fantasias sobre o delator dos meus pais”, relatou Matheus ao jornal O Globo. “Mas, quando nos encontramos, em Cariacica, vi que ele é uma pessoa normal. Tem defeitos e qualidades. E teve, sobretudo, muita coragem para admitir que delatou o grupo e que o fez por não suportar a tortura.”

 



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