Nós, Madalenas: não é só foto, é resistência

“Nós, Madalenas” é um projeto fotográfico que vale a pena apoiar e divulgar. A fotógrafa mineira Maria Ribeiro resolveu registrar cem mulheres com um objetivo em comum: representar, por meio de uma...

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Nós, Madalenas” é um projeto fotográfico que vale a pena apoiar e divulgar. A fotógrafa mineira Maria Ribeiro resolveu registrar cem mulheres com um objetivo em comum: representar, por meio de uma palavra, o que o Feminismo significa para elas. O projeto tomou as redes e, com muita celebração, agora batalha para se transformar em livro.

No livro, além das fotografias, as mulheres fotografadas escreverão depoimentos contando o motivo por trás da escolha de suas palavras e o que o Feminismo representa em suas vidas. Sem dúvidas, será uma excelente oportunidade para conhecer o movimento social pela ótica das mulheres diversas e plurais que o integram.

Para contribuir com o projeto, basta visitar a página do financiamento coletivo, onde várias recompensas bacanas são oferecidas a quem ajudar. Enquanto isso, leia a entrevista concedida pela fotógrafa Maria Ribeiro, que fala ao Questão de Gênero sobre o “Nós, Madalenas” e os desafios de desenvolver um projeto feminino e feminista totalmente independente:

Imagem: Reprodução / Facebook
Imagem: Reprodução / Facebook

Questão de Gênero – Como você descobriu o Feminismo? Foi fácil se identificar como feminista?

Maria Ribeiro – Acho que posso dizer que, mesmo sem saber, eu sempre fui feminista, pois sempre lutei para ser livre e não me atar às amarras e condições que a sociedade impõe às mulheres. Mas a autoidentificação com o feminismo foi acontecendo aos poucos e gradualmente. Com certeza esse um ano de “Nós, Madalenas”, meu contato com essas cem mulheres diferentes, com suas histórias, suas inseguranças e suas conquistas, me aprofundou como feminista e também como fotógrafa.

QG – Um ano após a criação do “Nós, Madalenas”, como você avalia o projeto? Quantas mulheres já foram fotografadas?

Ribeiro – Foram feitos cem retratos e o resultado é muito gratificante agora que estamos completando um ano de projeto. Posso dizer que o projeto é empoderador, importante e encorajador, tanto para mim quanto para as mulheres que fazem parte dele. Para muitas, posar para uma foto foi ultrapassar diversas barreiras, uma verdadeira vitória. Não é só uma foto: é uma afirmação, é resistência, é luta. Muitas mulheres estão ali expondo o objeto de insegurança, considerado fora dos padrões por uma mídia que objetifica as mulheres. Entre estrias, quilos, cicatrizes ou celulites, estão se revelando com toda a beleza que a mulher real exibe. Estão ali dando a cara a tapa diante das críticas das redes sociais. Estão mostrando uma dose de coragem, de confiança e de questionamento que não é pra qualquer um. Por isso, estamos fazendo a campanha para esse livro, para contarmos, além das imagens, as histórias de cada uma dessas mulheres incríveis que estão mostrando, cada uma, sua faceta do feminismo a partir de sua própria história.

QG – Muitas mulheres escolhem posar sem roupa; outras ficam bem vestidinhas. O que você acha dessa diferença? As mulheres fotografadas compartilham os motivos de desejarem posar com ou sem roupas?

Ribeiro – Isso depende bastante. Algumas escolhem realmente posar nuas, outras acabam resolvendo na hora por razão do local onde querem escrever a palavra ou pela mensagem a ser passada. Eu sempre explico que o mais importante é a pessoa se sentir confortável com o que ela está fazendo, com ou sem roupa. As pessoas são muito diferentes, tem gente que chega no estúdio, tira a roupa e posa sem nenhuma dificuldade. Outras, como eu, ficam tímidas e tensas na frente da câmera, então cada uma é um caso e o procedimento é feito de acordo com a situação. Mas mesmo nos casos em que as mulheres posam nuas, nunca é explícito, pois o objetivo não é sexualizar o corpo, portanto tudo é feito de forma artística coerente com a mensagem que queremos passar.

Imagem: Reprodução / Facebook
Imagem: Reprodução / Facebook

QG – Quais são as maiores dificuldades desse projeto?

Ribeiro – Muitas. O principal é que é um projeto meu, pessoal, não tem apoio, não tem recursos, nada. Tudo que foi feito foi com sacrifício e investimento pessoal, tanto de tempo, como de dinheiro, equipamento, recursos. Muitas vezes pensei em desistir, pois é muito difícil trabalhar assim, sozinha e sem patrocínio. Mas aqui estamos nós, um ano após a primeira sessão de fotos, e agora nossa maior dificuldade está sendo conseguir o valor para fazermos o livro. Portanto, todos que se identificarem com a nossa causa estão convidados a colaborar com a nossa campanha!

QG – Apesar dos desafios, por que você quis transformar o “Nós, Madalenas” em livro?

Ribeiro – Eu considero muito importante veicular o projeto em livro porque sinto necessidade de ocuparmos a mídia com imagens de mulheres opostas às que vemos geralmente. Existe um padrão midiático feminino que faz com que milhares de mulheres não se amem como elas são, não se assumam, não se aceitem e isso é loucura. Quebrar esse padrão de beleza surreal e mostrar que as mulheres trazem naturalmente sua perfeição é questão de utilidade pública.

Além disso, meu objetivo é trazer reflexão e questionamentos sobre a questão de gênero. Cem mulheres de diferentes classes sociais, cores, idades, biotipos e todas com algo em comum: o feminismo. Ele é importante e necessário para todas as mulheres e isso precisa ser registrado. Todas as palavras, todas essas mulheres e todos os relatos trazem uma espécie de “raio x” do que estamos vivendo. Acho isso mágico e é super importante que seja impresso, veiculado, lido e discutido pelo maior número possível de pessoas.

QG – Depois de alguns meses de projeto, algumas blogueiras feministas com bastante alcance nas redes também se juntaram ao “Nós, Madalenas”. Foi você que fez o convite ou elas que te procuraram? Na sua perspectiva, foi importante a participação dessas blogueiras?

Ribeiro – Depende. Algumas entraram em contato e outras eu convidei, por fazerem parte de blogs que eu sigo faz tempo e me identifico. Considero importante porque elas têm um alcance grande na internet e inspiram muitas mulheres a se libertarem. Convidei também mulheres que trabalham com projetos femininos, pois essa vivência também é importante. Cada perfil que entra no projeto enriquece, acrescenta e faz com que ele se torne mais completo e interessante.

Queria só acrescentar que, a respeito da campanha, cada participação é muito importante. A gente está construindo algo juntas aqui, é um projeto feito por mulheres, com mulheres e para mulheres, é um símbolo de resistência, de ocupação de espaço. A gente vai entrar na arte, na literatura, nas livrarias, nas bibliotecas, vamos encher essa sociedade de representações de mulheres livres, fortes, independentes, reais e respeitadas. Vem com a  gente realizar esse objetivo!

CONTRIBUA: https://beta.benfeitoria.com/nosmadalenas

Foto de capa: Reprodução / Facebook



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