Delegado afirma que governo de SP fez acordo com PCC em 2006

A reunião teria sido articulada após dezenas de policiais acabarem mortos em atentados. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) sempre negou qualquer tipo de negociação com a facção; depoimento de policial, porém, sugere o contrário.

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A reunião teria sido articulada após dezenas de policiais acabarem mortos em atentados. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) sempre negou qualquer tipo de negociação com a facção; depoimento de policial, porém, sugere o contrário

Por Redação

Um depoimento obtido pelo jornal O Estado de S. Paulo mostra que representantes do governo estadual fizeram um acordo com o chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola. O encontro foi realizado dentro do presídio de Presidente Bernardes e tinha por objetivo tentar encerrar os ataques da facção criminosa, em maio de 2006.

A declaração foi dada pelo delegado José Luiz Ramos Cavalcanti, que teria sido um dos escolhidos para mediar a conversa. O governo de São Paulo, no entanto, sempre negou qualquer acordo com o PCC. O depoimento de Cavalcanti, que está no processo criminal 1352/06, revela que ele recebeu a missão de ir até o presídio, depois que dezenas de policiais haviam sido mortos em atentados.

Ele estava em companhia da advogada Iracema Vasciaveo – que defendia o direito dos presos e, na época, representava o PCC -, além do corregedor da Secretaria da Administração Penitenciária, Antonio Ruiz Lopes. Os três foram no avião da PM até Presidente Prudente, onde se encontraram com o comandante da região, coronel Ailton Brandão.

Cavalcanti ainda relatou que o bloqueador de celular teria sido desligado para que um dos presos pudesse informar aos colegas de facção que o acordo de trégua já estava firmado.

Foto de capa: Maíra Streit



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