“Racismo? Aqui não! Só nos EUA ou na África da Sul”

Coletivo de alunos e alunas negras da Unesp de Bauru (SP) divulgaram nesta segunda-feira (27) uma carta de repúdio às inscrições racistas encontradas em uma parede da universidade; autoria de ofensas como "negras fedem" e "Juarez macaco", em referência a um professor, será investigada...

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Coletivo de alunos e alunas negras da Unesp de Bauru (SP) divulgaram nesta segunda-feira (27) uma carta de repúdio às inscrições racistas encontradas em uma parede da universidade; autoria de ofensas como “negras fedem” e “Juarez macaco”, em referência a um professor, será investigada em uma sindicância interna; confira a nota dos estudantes

Por Redação

Em resposta às inscrições racistas encontradas em uma parede da Universidade Estadual Paulista (Unesp) da cidade de Bauru na semana passada, o coletivo Negro Kimpa, composto por alunos e alunas negras da universidade, divulgou nesta segunda-feira  (27) uma carta de repúdio.

No texto, os estudantes ironizaram aqueles que dizem que não há racismo no Brasil, evidenciando o teor preconceituoso e violento das frases, que iam desde “Juarez macaco”, em referência a um professor negro da instituição, a “negras fedem”.  A questão da violência direcionada à mulher, em específico, também foi ressaltada.

“Ações de puro ódio apenas afirmam a importância de grupos como o Kimpa e o Abre-Alas, coletivo feminista do campus, afinal, muitas das ofensas se dirigiram de modo contundente às mulheres negras. O grupo mais vulnerável da sociedade brasileira”, escreveram.

O coletivo informou que abrirá uma sindicância interna para apurar o caso. A direção da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Unesp declarou, em nota, que decidiu abrir processo averiguatório para apurar os responsáveis pelas pichações e que, se encontrados, poderão até ser desligados da universidade.

Confira a íntegra da nota dos estudantes.

“Segunda-feira, dia 27 de julho de 2015

Na semana passada,  um ato de extremo ódio racial no campus de Bauru da Unesp nos fez refletir e produzir esta nota.

Não falamos sobre os olhares desconfiados, nem sobre a nossa objetificação, muito menos sobre a apropriação cultural. A essas formas de violência, cruéis e desgastantes, nós, como pretas e pretos brasileiros, estamos acostumados a enfrentar.

Triste, mas verdadeiro.

Na semana passada vimos um mito ser colocado em cheque. Os ensinamentos da democracia racial não foram seguidos. Esqueceram que é neste país onde as raças convivem em harmonia. Deixaram de lado o suposto amor incondicional entre as pessoas pretas e brancas. Não se recordaram que  a grande marca de nossas terras é a miscigenação, fruto da união dos povos.

Racismo? Aqui não! Só nos EUA ou na África da Sul.

Pois bem.

Escritos de extrema violência e covardia foram feitos nos banheiros em frente ao Departamento de Comunicação Social, DCSO, e ao Departamento de Ciências Humanas, DCHU, da Unesp campus de Bauru.

“Unesp cheia de macacos fedidos”, “macaco fedido”, “negras fedem”, “as negras da unesp”, “Juarez macaco”. Mais do que tudo isso, ao final, o agressor ainda nos questionou. “O que vai fazer? Um coletivo”.

A resposta para o burro e ignorante questionamento desse racista é simples. Não faremos um coletivo. O Coletivo Negro Kimpa já existe e uma das nossas razões é essa, trazer à tona atos racistas como esses e destruir o mito da democracia racial.

Ações de puro ódio apenas afirmam a importância de grupos como o Kimpa e o Abre-Alas, coletivo feminista do campus, afinal, muitas das ofensas se dirigiram de modo contundente às mulheres negras. O grupo mais vulnerável da sociedade brasileira.

Ressaltamos também o fortalecimento do NUPE, Núcleo Negro da Unesp para Pesquisa e Extensão, grupo coordenado pelo brilhante professor e grande militante Juarez Xavier. O NUPE é um espaço de produção de conhecimento sobre a questão étnico/racial no país e uma grande ferramenta de emporaderamento para que negras e negros entendam os mecanismos do racismo no Brasil e possam assim combatê-lo.

Não era possível, porém, esperar algo muito diferente da comunidade unespiana. A universidade aceitou a política de cotas, mas não promoveu nenhum debate sobre a questão étnico/racial de modo incisivo, muito menos pensou em políticas para essa população negra que compõe o grupo de estudantes, funcionários e professores da Unesp. E a tendência é que esses casos só venham a aparecer com mais força. A maior presença de negras e negros na universidade, espaço historicamente destinado à branquitude, gera incômodo. Desconforto tão grande que vem, inclusive, destruindo a democracia racial do Brasil.

Ofensas como essas não nos farão recuar. Tudo será arquivado, assim como as medidas legais serão tomadas. Racismo é crime e o que foi feito está sob investigação. Por meio do NUPE, abriremos uma sindicância interna para apurar o caso.

Por último, gostaríamos de ressaltar a covardia da atitude. Ofender a comunidade negra com escritos em cabines fechadas é a maior demonstração possível de medo. Sim, a Unesp vai ficar preta. E se você está incomodado, é porque nosso trabalho está sendo bem feito. Pode nos atacar, xingar, ofender. Não vamos recuar. Nem um centímetro. Estamos prontos para o enfrentamento em todas as esferas.

Poder ao povo preto!

Coletivo Negro Kimpa”

Foto: JCNET

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Ações de puro ódio apenas afirmam a importância de grupos como o Kimpa e o Abre-Alas, coletivo feminista do campus, afinal, muitas das ofensas se dirigiram de modo contundente às mulheres negras. O grupo mais vulnerável da sociedade brasileira.

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