Polarização xiita-sunita mergulha Iêmen em crise política e humanitária

De acordo com conceitos utilizados pelo Comitê da Cruz Vermelha, a situação observada no país asiático configura situação de conflito armado interno – essa denominação se deve à constatação da existência de forças paramilitares organizadas em enfrentamento com forças do governo. Entenda

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De acordo com conceitos utilizados pelo Comitê da Cruz Vermelha, a situação observada no país asiático configura situação de conflito armado interno – essa denominação se deve à constatação da existência de forças paramilitares organizadas em enfrentamento com forças do governo. Entenda 

Por Matheus Moreira 

Um avião do Comitê Internacional da Cruz Vermelha com cerca de 16,4 toneladas de suprimentos médicos chegou a capital do Iêmen, Sanaa, em 10 de abril. Os materiais, segundo comunicado de imprensa do Comitê, podem atender a 700 mil pessoas gravemente feridas.

Seis dias mais tarde, o Comitê emitiu nota lamentando a impossibilidade de acessar a província Maareb, também no Iêmen. O CICV tem trabalhado para distribuir material que vai de intravenosos à equipamento cirúrgico pelos hospitais do país após semanas de confrontos intensos.

Entenda o conflito 

De acordo com conceitos utilizados pelo Comitê da Cruz Vermelha, a situação observada no país asiático configura situação de conflito armado interno. Essa denominação se deve à constatação da existência de forças paramilitares organizadas em enfrentamento com forças do governo.

Nos últimos meses, forças aliadas ao governo de Abdrabbuh Mansour Hadi têm travado combates com grupos aliados a combatentes xiitas, os Houthis. Os primeiros ataques do braço armado Houthi, Ansar Allah, aconteceram em setembro de 2014 levando a mais de 50 mortes e à suspensão de linhas aéreas internacionais e árabes por 24 horas.

Opositores xiitas alegam terem sofrido preconceito e terem sido prejudicados no acordo, que prevê a divisão do país em seis zonas federais. De acordo com porta-vozes do grupo, a região delegada a eles carece de recursos naturais e não tem saída para o mar.

Irã X Arábia Saudita  

As disputas de poder iemenitas têm relevância internacional devido à participação do Irã e Arábia Saudita, respectivamente, xiita e sunita. A república iraniana apoia os grupos opositores ligados aos Houthi no Iêmen, assim como o Reino Saudista apoia o governo de Hadi.

Uma das causas da participação antagônica desses países no conflito pode ser a presença de um dos maiores canais de fluxo petroleiro do mundo, o estreito de Bab al-Mandab. Um governo xiita poderia criar complicações para a Arábia Saudita, que tem a segunda maior reserva de petróleo do mundo, ficando atrás apenas da Venezuela, e faz uso do canal para transporte do óleo natural.

Mudanças  

As forças Houthi abriram caminho até a capital do país e colocaram Hadi em prisão domiciliar. Pressionados, o presidente e seu primeiro ministro renunciaram aos cargos.

Entretanto, o líder sunita conseguiu escapar de Sanaa e fugiu para Áden, cidade portuária no sul do país, que declarou ser nova capital Iemenita, voltando atrás em sua renúncia.

Atualmente, ainda que a comunidade internacional reconheça Abdrabbuh Mansour Hadi como governante legítimo, as forças Houthi têm dado rumo à governança no Iêmen, chegando a dissolver o parlamento e instaurar conselho presidencial que governará por dois anos até que o país se estabilize e novas eleições sejam convocadas.

(Foto: Abo Haitham/OXFAM)



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