“As grandes empresas brasileiras não são peças de um xadrez. Elas são o xadrez”

Em entrevista ao jornal Valor Econômico, o sociólogo Chico de Oliveira diz que “não há margem para mudanças radicais, seja pela direita, seja pela esquerda” e afirma que não há possibilidade de impeachment de Dilma. “O povo sentirá como um golpe de Estado”

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Em entrevista ao jornal Valor Econômico, o sociólogo Chico de Oliveira diz que “não há margem para mudanças radicais, seja pela direita, seja pela esquerda” e afirma que não há possibilidade de impeachment de Dilma. “O povo sentirá como um golpe de Estado”

Por Redação

Em entrevista publicada no caderno Eu e Fim de Semana do jornal Valor Econômico, o sociólogo Chico de Oliveira não vê possibilidade de vingar um processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. “Não há margem para mudanças radicais, seja pela direita, seja pela esquerda. A economia e a sociedade se sofisticaram e os interesses ficaram muito complexos. Não são fáceis de ser identificados e não se faz um processo de impeachment sem força social por trás”, afirmou.

Quando questionado a respeito do apoio à ideia retratado em pesquisas de opinião, Oliveira questionou sua real eficácia. “Essas pesquisas parecem ter base, mas são inteiramente falsas. Uma coisa é conversar abstratamente sobre impeachment. Outra é colocar em votação na Câmara para ver se sai”, observou. “Não sai. Ela não vai cair. O impeachment não tem apelo popular. A recessão não torna o impeachment popular. O povo sentirá como um golpe de Estado.”

Para o sociólogo, o Partido dos Trabalhadores está “desalinhado” no atual cenário. “O partido perdeu a curva da história. O PT é uma força nacional. Molda os interesses estratégicos da sociedade. Está desalinhado e em franco recuo, o que é um risco”, avaliou. “O fato principal que deveria nos inquietar, e muito, é a falência do PT. Se o PT recuar muito, teremos problema. Não pelo avanço da direita, mas pelo recuo da esquerda.”

Na entrevista, ele também falou sobre o que seria o “jogo do capitalismo brasileiro”. “As grandes empresas brasileiras não são peças de xadrez. Elas são o xadrez. Acho que não haverá problema do ponto de vista dos grandes interesses. A Lava-Jato não vai desmontá-los. É interessante, o ponto de vista jornalístico, mas não tem essa força.”



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