Homofobia é de Deus?

Neste dia dos Pais, o comediante cearense Paulo Diógenes, criador da personagem Raimundinha, tem algo a mais a comemorar: Junto com seu companheiro Tarcísio, eles celebram a data ao lado da filha Tatá pela...

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Neste dia dos Pais, o comediante cearense Paulo Diógenes, criador da personagem Raimundinha, tem algo a mais a comemorar: Junto com seu companheiro Tarcísio, eles celebram a data ao lado da filha Tatá pela segunda vez em suas vidas.

Paulo Diógenes é também um parlamentar atuante na Câmara Municipal de Fortaleza, mas foi no humor onde ele se destacou inicialmente, ao criar a debochada Raimundinha há cerca de vinte anos, personagem conhecida nacionalmente e que demonstra uma das facetas do seu talentoso criador. No Parlamento não são poucas as vezes onde tem que discursar contra o preconceito, colocando a própria história como forma de tentar aplacar tantos preconceitos que a população LGBT enfrenta em seu dia-a-dia, em especial quando o discurso de que “a união de pessoas do mesmo sexo não constitui uma família perante Deus” é invocado.

Na vida a dois, Paulo e Tarcísio convivem também diariamente com a homofobia, pois desde que oficializaram a sua união são obrigados a lidar com todo tipo de opinião conservadora e desencontrada, em especial quando mostram o que acaba sendo insofismável e que dói na visão de muitos: formam uma família feliz.

Neste Dia dos Pais não foi diferente, pois ao colocar a bela foto junto com sua filha, acompanhada da legenda: “Ser pai é um gesto de amor, compartilhe se você acredita em todas as formas de amor“, ele voltou a vivenciar o preconceito, quando em uma de suas redes sociais um seguidor veio afirmar (foto) que sua união não seria de Deus. O grotesco comentário foi “Ser filho de dois pederastas deve ser uma dádiva de Beuzebú“.

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A pergunta que me faço é sempre a mesma; Deus realmente estaria a favor do ódio, de tanto ódio assim? Do que aprendi em minha aulas de catequese no Colégio Santo Inácio de Fortaleza, a regra do amor ao próximo sempre foi uma máxima insofismável nas palavras que me falavam de Jesus ou de Deus em lato sensu. Nunca entendi como alguém poderia odiar em nome de Deus, acho que nem mesmo Ele assim, em sua máxima hermenêutica, talvez não compreendesse tamanho rancor no coração de quem diz amar.

Embora eu seja um agnóstico hoje (em não ter “A” religião como escolhida), continuo acreditando na existência de um Deus e guardo comigo os ensinamentos que sempre julguei proveitosos do que aprendi, ainda criança, nas aulas de religião. Respeito quem acredita ou não acredita em uma força superior, mas não consigo entender quem pratica o ódio pelo ódio. É difícil entender o que leva alguém, em pleno dia dos pais principalmente, a ir atacar uma bela família – independente de sua orientação sexual – supostamente por questões religiosas.

Definitivamente Deus não está representado por gente assim. São dignas de pena.

Ao Paulo Diógenes, Tarcísio e Tatá, desejo toda felicidade do mundo e um dia maravilhoso.

Porque toda forma de amor, é sim de Deus.

 



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