Ao vivo, na Globo, rapper compara manifestantes paneleiros à Ku Klux Klan

A música apresentada por Flávio Renegado no “Criança Esperança”, da Rede Globo, incomodou e mexeu na ferida de muita gente, ganhando repercussão nas redes sociais; "Insultos mil: tição, macaco, criolo, complete a lista / Enquanto a Ku Klux Klan bate panela na paulista", diz...

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A música apresentada por Flávio Renegado no “Criança Esperança”, da Rede Globo, incomodou e mexeu na ferida de muita gente, ganhando repercussão nas redes sociais; “Insultos mil: tição, macaco, criolo, complete a lista / Enquanto a Ku Klux Klan bate panela na paulista”, diz um trecho da canção. Ouça

Por Pragmatismo Político

A apresentação mais comentada da edição 2015 do “Criança Esperança” pertenceu ao rapper Flávio Renegado. A letra de “Mundo Moderno”, composta especialmente para o evento, chamou atenção nas redes sociais pela sequência “Insultos mil: tição, macaco, criolo, complete a lista / Enquanto a Ku Klux Klan bate panela na paulista”.

A letra de ‘Mundo Moderno’ incomodou vários internautas. “Nunca vi uma letra tão medíocre! Parece feita por um aluno bobinho da 3a série. Nem digna de comentários é. Desconexa, incoerente e infantil. Ai que saudades da Bossa Nova”, escreveu Nanda Viana.

Outros internautas elogiaram a composição. “Gosto de ver as pessoas incomodadas com a música da favela tomando as telas que antes eram dos playboys! Trabalho do Renegado é sensacional! Além do trabalho como músico, os projetos que apoia nas periferias. Depois dessa, não tenho mais palavras para descrever a corrente do bem que vem da periferia esta incomodando a burguesia! Vamos distribuir o amor! +Amor por favor! Podem fazer todo tipo de crítica ao trabalho desse cara, mas agora vocês o conhecem e vocês ouviram ele falar! E essa cena ta gravada na história”, publicou Lucas.

À coluna da jornalista Mônica Bergamo, ele explicou: “Eu estou num momento muito reflexivo, pensando na forma como a sociedade está se comportando. A letra traça muito esse caminho, mas pegaram um trecho específico e analisaram sem contexto. Quando eu levo essa reflexão pra KKK não estou falando que quem está na manifestação é o branco ou o amarelo ou o negro”.

“Falo da intolerância, do ódio que se espalhou. A menina sai de um culto de candomblé e toma uma pedrada. Homossexuais são assassinados e espancados. Em momento algum eu quis dizer que todas as pessoas que estão na Paulista são racistas. Se expressar é um direito de cada um. Meu novo disco, ‘Relatos de um Conflito Particular’, vem muito nessa mão. Não posso falar quem tá certo ou errado. Mas quero garantir que todos tenham voz. E principalmente que quem vem da periferia também tenha voz”.

Leia a letra. Em seguida, assista ao vídeo:

Anda tão estranho esse mundo moderno
Crianças portam fuzil, não mais bola, boneca e caderno
Vivemos em um país aonde os sonhos sempre viram poeira
Desviam a verba da merenda
e querem nossos jovens na cadeia

Colarinho branco quando governa, só abusa e maltrata
Decreta para professores salários baixos, coturno e chibata
Basta de tempo ruim e clima fechado, ta brutal
Século Xxi, racismo, ultravirus na rede social

Insultos mil: tição, macaco, criolo, complete a lista
Enquanto a KK bate panela na paulista
Eu ainda sonho com o paraíso um mundo sem fronteiras
Tarde de sol, crianças brincando, água fresca e cachoeira

Aonde não somos julgados pela a cor da pele
mas sim pelo o coração
E o progresso vem antes da ordem na bandeira da nação
Dizem que é utopia e sempre me chamam de sonhador
Mas eu acredito que a guerra
sempre vai perder para o amor

Foto: Reprodução



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