Depois do “não vai faltar água”, Alckmin reconhece a crise hídrica em SP

Desde janeiro de 2014, boa parte da população paulista vive racionamentos diários, mas só agora o governador - que ao longo da campanha eleitoral do ano passado negou veementemente que faltava ou que faltaria água no estado - assumiu o problema.

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Desde janeiro de 2014, boa parte da população paulista vive racionamentos diários, mas só agora o governador – que ao longo da campanha eleitoral do ano passado negou veementemente que faltava ou que faltaria água no estado – assumiu o problema

Por Redação*

Ainda que boa parte da população paulista viva racionamentos de água diários desde janeiro de 2014, só agora o governador Geraldo Alckmin (PSDB) decidiu reconhecer o problema. Em portaria publicada pelo Diário Oficial do estado nesta quarta-feira (19), o superintendente do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) – vinculado ao governo estadual -, Ricardo Borsari, declarou “em situação de criticidade hídrica a região da bacia hidrográfica do Alto Tietê”, que serve a diversos sistemas que abastecem a Grande São Paulo.

Não foram poucas as vezes que Alckmin foi alertado, ao longo desse período, sobre a necessidade de reconhecer a crise hídrica e implantar medidas efetivas, como rodízios oficiais, para conter a escassez.

Em março deste ano, por exemplo, o Ministério Público instaurou um inquérito civil para apurar irregularidades e degradação ambiental em obras no Sistema Alto Tietê para o enfrentamento da crise. No inquérito, o promotor Ricardo Manuel Castro disse que iria apurar as obras emergenciais no sistema que estavam sendo feitas sem que o governo estadual tivesse decretado situação de emergência para o abastecimento de água.

Por se tratar de ano eleitoral, no entanto, a reação de Alckmin sempre foi de simplesmente negar e minimizar o problema, enquanto milhares de pessoas viam suas torneiras secas. Em debate com outros candidatos ao governo ao longo da campanha do ano passado, o tucano fez questão de frisar que não faltava e nem faltaria água em São Paulo.

Por meio da portaria publicada no Diário Oficial e que, portanto, já está em vigor, o DAEE determinou que a utilização de recursos hídricos em desacordo com a Lei 7.663, de 1991, ou sem a sua autorização, é uma infração. Com isso, o estado de São Paulo poderá, por exemplo, suspender as licenças de captação particulares de águas superficiais e subterrâneas, priorizando o abastecimento público em vez da agricultura e da indústria.

*Com informações da Agência Brasil

Foto: Ivan Longo



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