Loja Renner é acusada de transfobia

Pelo Facebook, uma transexual relatou o constrangimento que passou em uma unidade da loja em um shopping em São Paulo ao ser impedida pelas funcionárias de usar o provador feminino; confira.

2592 0

Pelo Facebook, uma transexual relatou o constrangimento que passou em uma unidade da loja em um shopping em São Paulo ao ser impedida pelas funcionárias de usar o provador feminino; confira

Por Redação

Ainda que no estado de São Paulo a Lei 10.948/2001 garanta o direito de travestis e transexuais de utilizarem banheiros e provadores compatíveis com sua identidade de gênero, muitos estabelecimentos ainda agem de forma transfóbica e preconceituosa com o público LGBT com um todo. No último domingo (23), por exemplo, uma unidade das lojas Renner de São Paulo foi acusada de discriminar dois transexuais e o caso vem ganhando grande repercussão nas redes sociais.

Pelo Facebook, a vítima, identificada como Vee, relatou o episódio em que as vendedoras tentaram impedi-la de usar o provador feminino da loja no Shopping Metrô Tatuapé, tendo passado por constrangimentos junto com seu namorado, também transexual.

De acordo com Vee, uma vendedora, ao avistá-la entrando no provador feminino, teria dito: “Você não pode provar aqui”, completando com um “você até pode provar, mas não aqui”.

O namorado de Vee, então, teria tentado ajudar a companheira falando com a vendedora, que chamou a supervisora e alegou que “ele” queria experimentar as roupas no provador feminino. O “ele”, no entanto, estava se referindo à transexual Vee, desrespeitando sua identidade de gênero.

A cena teria sido vista por outras pessoas que, inclusive, teriam prestado apoio à transexual. Depois de um tempo de conversa e de checar o provador feminino, a supervisora, então, teria autorizado Vee a utilizar o espaço, mas salientando: “Vocês podem provar aqui, mas uma em cada provador, não juntas”.

Para Vee, o fato de a supervisora salientar que o namorado (tratado no gênero feminino com o “juntas”) e ela não poderiam utilizar o mesmo provador conotou uma sugestão de que eram algo como “pervertidos sexuais”.

“Eu fui humilhada e constrangida em público; eu e meu namorado fomos vistos como algum tipo de pervertidos sexuais, que precisam invadir espaços públicos pra fazer sexo; tanto eu quanto meu namorado fomos tratados pelos gêneros errados – eu no masculino, ele no feminino”, escreveu.

Vee, apesar de não ter oficializado a denúncia e dado queixa, garantiu que nunca mais comprará qualquer coisa na loja e vem incentivando outras pessoas a fazerem o mesmo.

Até a publicação desta reportagem, a Renner não se pronunciou sobre o caso.

Confira a íntegra do relato:

Querida rede Lojas Renner

Ontem, durante compras na sua filial do Shopping Metro Tatuapé, tentaram me impedir de entrar no provador feminino. A vendedora olhou pra mim e disse, simplesmente: “Você não pode provar aqui”, e completou, “você ATÉ PODE provar essas roupas, mas não aqui”.

Ao me ver saindo cabisbaixa do provador, meu namorado disse que eu ia experimentar os vestidos no provador que realmente cabia a mim. Ele falou com a vendedora, a supervisora foi chamada. Uma moça na fila, que estava na minha frente disse, firmemente: “Não tem que chamar supervisora. Que absurdo!”.

Pra supervisora a vendedora disse que “ele quer provar as roupas aqui”, ao passo que o meu namorado e eu retrucamos “ELA”; a outra moça na fila ainda mostrava indignação e apoio a mim na situação.

Depois de verificar o provador, a supervisora disse “Vocês podem provar aqui, mas uma em cada provador, não juntas”. Entrei, provei, escolhi, saí, comprei.

Primeiramente: minha vida sexual é ótima e bem resolvida; não tenho necessidade de invadir provadores de lojas para atacar ninguém sexualmente ou namorar. Meu objetivo no provador, pasmem, era provar as roupas que eu queria comprar.

Segundo: entendo que a vendedora e a supervisora estavam “cumprindo ordens”, mas houve margem para toda e qualquer transfobia. Eu fui humilhada e constrangida em público; eu e meu namorado fomos vistos como algum tipo de pervertidos sexuais, que precisam invadir espaços públicos pra fazer sexo; tanto eu quanto meu namorado fomos tratados pelos gêneros errados – eu no masculino, ele no feminino.

Espero que façam muito bom proveito dos R$160 que gastamos naquela noite. Não voltarei na Renner pra comprar mais nenhuma meia. O vestido e o cardigan ficaram ótimos.

– Vee

Foto: Reprodução/Facebook



No artigo

x