Homossexuais perseguidos na ditadura recebem homenagens

Programação faz parte da Semana da Anistia, lançada ontem (24) em Brasília com o objetivo de relembrar os 36 anos da Lei de Anistia e debater questões ligadas aos direitos humanos no país.

1081 0

Programação faz parte da Semana da Anistia, lançada ontem (24) em Brasília com o objetivo de relembrar os 36 anos da Lei de Anistia e debater questões ligadas aos direitos humanos no país

Por Redação*

Começou na segunda-feira (24) e vai até domingo a Semana da Anistia, que busca relembrar os 36 anos da Lei de Anistia e debater questões ligadas aos direitos humanos no Brasil. Uma das atrações do dia de ontem, em Brasília, foi o evento “Repressão à Homossexualidade na Ditadura e a Homofobia na Democracia”.

Na ocasião, foram homenageadas três pessoas que se tornaram referências na luta pelos direitos LGBT: a anistiada política Sandra Maria Carnio, presa e torturada pelo regime militar (1964-1985); a ativista Maria Fernandes, do Coletivo de Feministas Lésbicas de São Paulo; e o historiador James Green, professor da Universidade Brown (Estados Unidos), cujos estudos sobre ditadura e homossexualidade influenciaram o relatório final da Comissão Nacional da Verdade.

A programação contou ainda com a exibição do documentário Favela Gay, seguido de um debate com Rodrigo Felha, Ana Murgel e Cacá Diegues, respectivamente diretor, roteirista e produtor do filme, juntamente com Paulo Abrão, presidente da Comissão de Anistia; o deputado federal Jean Wyllys, os professores James Green e Renan Quinalha, João Nery (primeiro transexual operado no Brasil) e Rafael Lira.

Sandra Maria sofreu diversas violações de direitos nos anos de chumbo, chegando inclusive a ficar em um cativeiro por 12 dias. Ela foi anistiada em março e falou sobre a importância desse fato em sua vida. Tudo que aconteceu comigo foi uma coisa que não aconteceu, oficialmente. Eu tinha 20 anos”, contou. “Eu não tinha esperança que meu processo fosse visto por alguém (…) e aconteceu: foi essa Lei da Anistia. Hoje eu posso dizer para você que tirou um peso das minhas costas”.

“Infelizmente, existe ainda uma grande falta, que é a punição dos torturadores, dos agentes do Estado, que cometeram graves violações de direitos humanos e nunca foram punidos”, destacou na ocasião James Green, que viveu no país de 1976 a 1982 e contribuiu para o surgimento do movimento de defesa dos direitos homossexuais.

Em entrevista ao Portal Brasil, o deputado federal Jean Wyllys disse que a iniciativa do governo federal foi corajosa em abrir espaço para discutir a violência do regime militar com base em questões de gênero e de orientação sexual. “Quando a gente fala na ditadura militar, nas torturas, a gente fala sempre na dimensão política, esquecendo que os sujeitos tinham outras posições, que vinham da classe, da etnia e da orientação sexual e da identidade de gênero”, explicou.

A Semana foi organizada pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça (MJ), além de órgãos e entidades parceiras. Até domingo, estão previstas palestras, seminários, oficinas, apresentações musicais, exibição de filmes, exposições fotográficas, entre outras atividades.

Foto de capa: Ministério da Justiça

* Com informações da Agência Brasil e Portal Brasil



No artigo

x