“Meus filhos eram as crianças mais lindas do mundo. Estão mortos agora”

Abdullah Kurdi, pai de Aylan, o menino sírio que morreu afogado tentando cruzar o mar Egeu e chegar à Grécia, falou pela primeira vez após a tragédia: Quero que o mundo inteiro nos escute e veja aonde chegamos tentando escapar da guerra. Vivo um...

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Abdullah Kurdi, pai de Aylan, o menino sírio que morreu afogado tentando cruzar o mar Egeu e chegar à Grécia, falou pela primeira vez após a tragédia: Quero que o mundo inteiro nos escute e veja aonde chegamos tentando escapar da guerra. Vivo um grande sofrimento. Faço esta declaração para evitar que outras pessoas vivam o mesmo”

Por Redação*

Abdullah Kurdi, pai do menino sírio que morreu afogado tentando cruzar o mar Egeu e chegar à Grécia, falou pela primeira vez após a tragédia. A foto de Aylan, de três anos, estirado nas areias da praia de Ali Hoca, em Bodrum, na Turquia, chocou o mundo desde que foi divulgada nas redes sociais, no início da semana.

“Meus filhos eram as crianças mais lindas do mundo. Eles eram maravilhosos. Eles me acordavam todos os dias pela manhã para brincar. Eles estão todos mortos agora”, disse Abdullah. Ele conta que ondas gigantes atingiram o barco logo após o início da travessia. Segundo seus relatos, o capitão “entrou em pânico, mergulhou e fugiu”.

Além de Aylan, estavam junto de Abdullah sua esposa, Rehan, e seu outro filho, Galip, de cinco anos. Os três morreram afogados. “Quando eu peguei minha mulher e meus filhos nos braços, vi que estavam todos mortos”, afirmou. A família tentou conseguir asilo no Canadá, onde vivem alguns parentes, mas tiveram o pedido negado. Ainda assim, planejavam ir para lá.

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Após a repercussão da imagem de Aylan, o governo canadense ofereceu abrigo a Abdullah, que o rejeitou. “Recebi uma oferta do governo do Canadá para morar lá, mas depois do que aconteceu não quero ir. Vou levá-los primeiro a Suruç [cidade turca na fronteira com a Síria] e depois a Kobane, na Síria. Passarei o resto da minha vida lá”, declarou. “Tudo que eu quero fazer é sentar perto do túmulo da minha mulher e meus filhos”.

Os Kurdi eram de Kobane, cidade síria que ficou conhecida pelos confrontos entre forças curdas e militantes do grupo jihadista Estado Islâmico. “Quero que o mundo inteiro nos escute e veja aonde chegamos tentando escapar da guerra. Vivo um grande sofrimento. Faço esta declaração para evitar que outras pessoas vivam o mesmo”, apelou Adbullah.

* Com informações da BBC e EFE

(Foto: Reprodução/BBC)



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