Jorge Solla: demissão de Chioro é uma “grande pancada” nos militantes do SUS

“A decisão da presidente Dilma de lotear o cargo para tentar atrair a fidelidade do PMDB no Congresso é ingênua, posto que terá resultado efêmero, e a cada votação se reestabelecerá uma nova chantagem”,...

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“A decisão da presidente Dilma de lotear o cargo para tentar atrair a fidelidade do PMDB no Congresso é ingênua, posto que terá resultado efêmero, e a cada votação se reestabelecerá uma nova chantagem”, disse o deputado federal do PT-BA

Por Redação

A demissão de Arthur Chioro do cargo de ministro da Saúde tem gerado repercussão negativa dentro do próprio Partido dos Trabalhadores. “É uma grande pancada que os militantes do SUS estão recebendo do governo”, afirmou o deputado federal do PT-BA, Jorge Solla. Para ele, “a decisão da presidente Dilma de lotear o cargo para tentar atrair a fidelidade do PMDB no Congresso é ingênua, posto que terá resultado efêmero, e a cada votação se reestabelecerá uma nova chantagem”, disse.

De acordo com Solla, que já ocupou o cargo de secretário estadual de Saúde da Bahia e é médico pesquisador da Universidade Federal da Bahia, existe um grande descontentamento entre militantes do PT em relação à negociação com os peemedebistas em torno do ministério da Saúde. “Gerou desgaste muito grande com um segmento da sociedade que defendia esse governo, justo no ano da conferência nacional de saúde, que mobiliza milhares de atores sociais que estão em defesa do SUS”, analisou.

O parlamentar também contestou os cortes orçamentários na área da Saúde, argumentando que são contraproducentes inclusive na questão da recuperação da economia. “É equívoco até do ponto de vista de superação da crise econômica, porque investir na saúde não é só política social, esse é um setor que emprega muita gente e movimenta muito a nossa economia. De acordo com o IPEA, se o país gastasse mais 1% do seu PIB com saúde, a renda média das famílias aumentaria em 1,44%, e o PIB como um todo aumentaria 1,70%. Estamos fazendo o caminho inverso”, avaliou.

Para o deputado, a negociação com o PMDB não garante o apoio do partido ao governo, citando a sessão do Congresso Nacional ocorrida na penúltima terça-feira (22), quando somente 34 dos 66 deputados da legenda votaram pela manutenção dos vetos de Dilma. “Não há governabilidade. Enquanto o governo ficar se submetendo a chantagem, vai ser refém o tempo todo. Não tem saída nessa política rebaixada”, completou.

Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil



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