Argentina vai às urnas para eleger sucessor da presidenta Kirchner

Últimas pesquisas apontam que Scioli pode ganhar já no 1º turno; ampla divisão de votos entre candidatos indica que há tranquilidade para eleger representante

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Últimas pesquisas apontam que Scioli pode ganhar já no 1º turno; ampla divisão de votos entre candidatos indica que há tranquilidade para eleger representante

Por Vanessa Martina Silva, no Opera Mundi 

Neste domingo (25/10), os argentinos irão às urnas para eleger presidente e vice-presidente, 24 senadores, 130 deputados nacionais e 43 parlamentares do Mercosul. Em 11 das 23 províncias do país, os eleitores também votarão para o cargo de governador. Desde a restauração da democracia, em 1983, esta será a sétima eleição para presidente e a primeira em 12 anos em que um membro da família Kirchner não concorre à presidência.

Serão 10 horas de votação e mais cinco pelo menos de espera para que se conheça o novo presidente da Argentina ou os candidatos que disputarão o segundo turno no próximo mês. As pesquisas dos últimos dias indicam que a decisão segue indefinida e com margens apertadas e, por isso, o que se verificou nos últimos dias no país foi uma intensa articulação dos partidos e coligações para assegurar vitórias, ainda que parciais, reajustando os apoios às vésperas do pleito.

Tal processo levou a uma complexidade maior na hora de definir o voto. Não são poucos os partidos e forças políticas – nacionais e locais – que passaram a fazer, nos últimos dias, um chamado para que os eleitores “cortem as cédulas” na hora de emitir o voto. Isso porque, no país, o voto (obrigatório) não é eletrônico, e as cédulas eleitorais são comparadas a lençóis, devido ao tamanho das mesmas, que podem chegar a um metro de comprimento.

Assim, o voto funciona da seguinte forma: os partidos e coligações elaboram as cédulas com todos os candidatos que estão competindo. Mas o eleitor pode votar por um presidente de determinado partido, governador de outro e prefeito de uma terceira agremiação. É aí que reside a dificuldade: como as cédulas são grudadas, as pessoas devem rasgar, ou cortar o papel para “montar” seu próprio voto, processo que pode causar confusões e lentidão na hora de emitir o voto.

‘Corte a cédula’

Para tentar se desvincular de companheiros de legenda que não têm chances de vencer, muitos candidatos – não diretamente, mas por meio de suas equipes – têm promovido o corte das cédulas. O município de São Miguel, da província de Buenos Aires, por exemplo, criou um jogo onde ensina os eleitores a votar em candidatos de partidos diferentes.

Para ultrapassar a barreira dos 40 pontos e conseguir uma vitória no primeiro turno, partidários de Daniel Scioli, candidato kirchnerista à presidência, também estão promovendo essa ação para permitir que, em localidades onde os candidatos a governadores da Frente para a Vitória não sejam favoritos, o fato não impacte a votação nacional.

O movimento contrário também tem ocorrido. O dirigente de um agrupamento peronista de Mercedes emitiu neste sábado um comunicado no qual esclarece que apoiará o candidato a prefeito da Frente para a Vitória, mas não apoiará Scioli em nível nacional.

Favorito

Scioli, apoiado pela presidente Cristina Kirchner, segue favorito e a possibilidade de que ele possa vencer ainda no primeiro turno é apontada pelas pesquisas de intenção de voto divulgadas pelo jornal Página/12 na noite de sexta-feira (23/10).

De acordo com a publicação argentina, Mauricio Macri, do Cambiemos, teve um leve crescimento e Sergio Massa, da UNA (Unidos por uma Nova Argentina), uma pequena baixa.

Os levantamentos apontam que Scioli tem 41% dos votos, podendo chegar a 43% ou 39% devido à margem de erro. Apesar de as empresas concordarem que a vitória do kirchnerista já neste domingo é uma tendência, as margens são muito estreitas para cravar um resultado.

Isso porque, segundo a Constituição do país, para vencer de forma direta, o candidato deve superar 45% ou mais de 40% e uma diferença de 10 pontos com relação ao segundo candidato.

Mauricio Macri, até o momento em segundo lugar, tem uma margem de votos que varia entre 27% e 29%, de acordo com o levantamento divulgado pelo Página 12. Para garantir o segundo turno, ele deverá ultrapassar os 30%, de forma a assegurar que Scioli não obtenha a diferença de 10 pontos.

Massa segue entre 20% e 23% das intenções. Para ressaltar sua força política, o candidato vinculou, nos últimos dias, sua figura à do ex-candidato à presidência do Brasil Aécio Neves, que aparecia como terceiro colocado, mas reverteu a tendência na última hora e decidiu a votação com Dilma Rousseff no ano passado.

Voto útil

Em uma manifestação apontada por especialistas como indicador de que não há “desespero” por parte dos argentinos para tirar o atual governo do poder, a chamada feita à exaustão por Massa e Macri pelo chamado “voto útil” não afetou significativamente o comportamento eleitoral.

Tal fato se evidencia, ainda segundo especialistas, pelo fato de que, em uma eleição em que há polarização, o voto útil é uma tendência forte, porque as pessoas votam em um para impedir que o outro ganhe. No entanto, tal cenário não parece estar se configurando no país. Além de Massa, que ronda a casa dos 20%, Margarita Stolbizer (Progressistas) e Nicolás del Caño (Frente de Esquerda) terão cerca de 5% dos votos cada um, o que não mostra uma transferência de votos anti-Scioli para outros candidatos.

Foto: Infolatam 



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