Conheça as Radical Monarchs, um grupo de escoteiras que luta pela justiça social

As 12 meninas que compõem a tropa têm entre suas atividades participar de marchas contra o racismo, discutir padrões de beleza machistas e apoiar o movimento LGBT

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As 12 meninas que compõem a tropa têm entre suas atividades participar de marchas contra o racismo, discutir padrões de beleza machistas e apoiar o movimento LGBT

Por Helô D’Angelo

 

12144914_1072518072780992_4796228414271464446_n“Quem somos?”

“As Radical Monarchs!”

“Pelo que lutamos?”

“Justiça!”

“Por que estamos aqui?”

“Para melhorar as coisas!”

A cidade de Oakland, na Califórnia, já foi palco de movimentos sociais importantes como os Panteras Negras e os Brown Berets. Mas os gritos de guerra acima não vêm de gargantas adultas. Formado por meninas de 8 a 12 anos, todas negras, o Radical Monarchs é um grupo de escoteiras cujo maior objetivo não é vender biscoitos ou acampar: a meta, segundo as fundadoras Anayvette Martinez e Marilyn Hollinques, é “empoderar jovens negras para que elas conquistem seu brilhantismo e liderança, tornando o mundo um lugar mais igualitário”.

A ideia veio da filha de Anayvette, Coatlupe Martinez. “Ano passado, minha filha estava começando a quarta série e queria desesperadamente entrar em um grupo de escoteiras. Observando-a, eu percebi que havia a necessidade de um grupo que a empoderasse e encorajasse a criar laços de sororidade com meninas da comunidade negra”, explica Anayvette no Facebook da tropa. Sendo educadora e tendo trabalhado em projetos sem lucro por 15 anos, a mãe já tinha uma boa experiência na área. Com a ajuda de Marilyn, uma de suas melhores amigas e também educadora, ela criou o grupo em dezembro de 2014.

Logo no primeiro encontro, as 12 meninas que compõem a tropa discutiram o significado da palavra “radical” para incorporá-la ao nome. Juntas, concluíram que “ser radical” equivalia a “ser um valente defensor social”, e que aquele seria um dos objetivos das Radical Monarchs. Nessa luta, o racismo é só um dos alvos: entre as atividades das Monarchs, estão a participação em marchas pelos direitos da população LGBT, discussões sobre padrões de beleza machistas e aulas colaborativas sobre a história das mulheres e sobre a cultura negra. Até os uniformes das meninas, compostos por boinas marrons, são uma homenagem aos Panteras Negras e aos Brown Berets.

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Cada conjunto de atividades rende um distintivo

Como acontece nas demais tropas de escotismo, cada conjunto de atividades rende um distintivo. A diferença é que, em vez de vender biscoitos de porta em porta, as meninas aprendem a questionar padrões, criam um espaço seguro de sororidade e disseminam ideais de igualdade. “Quando criamos os distintivos, pensamos que seria incrível ter uma tropa de meninas focadas em justiça social”, disse Martinez no Facebook do grupo. O primeiro distintivo – um punho eguido com as palavras “Black Lives Matter” (Vidas Negras Importam) foi distribuído às meninas que participaram da marcha do dia de Martin Luther King Jr., em janeiro de 2015. Depois de “Vidas Negras Importam”, as meninas conquistaram os títulos “LGBT Allies” (Aliadas LGBT), “Radical Pride” (Orgulho Radical) e “Radical Beauty”  (Beleza Radical).

A tropa fez sucesso nas redes sociais, tendo alcançado quase 16 mil curtidas no Facebook. Entre os internautas, houve quem chamasse  as atividades das garotas de “lavagem cerebral”, mas Marilyn responde às criticas na própria rede: “Nós definitivamente incomodamos, mas esse é mesmo o nosso objetivo”. Por não seguir os padrões das demais tropas de escoteiros dos Estados Unidos, as Monarchs não são afiliadas do Girl Scouts of the USA, o maior órgão de escotismo para meninas do país, que reúne cerca de 2 milhões de garotas.

Para continuar as atividades, as Radical Monarchs abriram, no dia 21 de outubro, uma página de financiamento em grupo, tendo como objetivo arrecadar 70 mil dólares para comprar uniformes, planejar passeios, adquirir livros, melhorar a estrutura da tropa e atrair cada vez mais meninas para a luta social. “As crianças compreendem muito mais do que os adultos imaginam. É importante não esconder a realidade delas, especialmente se essa realidade puder machucá-las mais tarde”, conclui Martinez.



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